Por Bruno Izidro

Aritana e a Pena da Harpia foi lançado originalmente em 2014 para PC e já demonstrava ser um competente jogo de plataforma. Agora, pouco mais de um ano depois, ele é relançado para Xbox One com retoques no visual e pequenas melhorias, confirmando que essa é a versão definitiva do jogo.

Para quem não conhece nada de Aritana, algo que chama mais a atenção de cara é sua temática de folclore tipicamente brasileira. Além do indiozinho como protagonista, a aventura é cheia de sementes de guaraná (que servem como as moedas do Mario), vitórias-régias, muiraquitãs e criaturas como o Mapinguari. Isso pode afastar muitas pessoas, mas quem colocar o preconceito de lado vai se deparar com um jogo bem divertido.

É claro que por ser um jogo de plataforma mais tradicional, Aritana tem bastante influência dos clássicos como Mario e Donkey Kong. Porém, o diferencial aqui fica na jogabilidade baseada em “posturas”: uma de ataque e outra de agilidade. A primeira serve, obviamente, para enfrentar os inimigos; já a segunda possibilita ao protagonista pular mais alto. Trocar entre elas é livre, e combinar ambas em desafios de obstáculos pelas fases é o que torna Aritana prazeroso de jogar.

Esse detalhe também foi melhorado na versão de Xbox One, com trechos das fases levemente modificados para equilibrar a dificuldade, um exemplo disso pode ser visto abaixo, quando comparamos o jogo atualmente com a versão do ano passado.

Como dá pra perceber, estas são diferenças bem simples, mas é porque Aritana é um jogo simples. Essa simplicidade é que vai levando o jogador nas primeiras fases, apresentando as mecânicas aos poucos, uma por vez, até que – quando você se dá conta – é preciso passar de um precipício pulando na cabeça de um inimigo, dar um salto duplo e ser impulsionado pra cima por outro inimigo, em um sequência que precisa ser repetida mais duas vezes.

Nesse momento, o jogo prende você nas tentativas de passar do obstáculo que te levou a mais de dez mortes, fazendo sua mão suar no controle como nos velhos tempos de Super Nintendo. Mas quando o sentimento de alívio ao conseguir superar o desafio chega… ele dura até o próximo trecho te deixar mais uma vez dependendo de seus reflexos nos controles.

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O bom dessa experiência é que ela não frustra. Pelo contrário, ela estimula o jogador a ir tentando mais e mais, melhorando pelas próprias habilidades que o jogo entrega. Além de toda a aventura em Aritana ser bem curta, de umas 4 horas, o que funciona perfeitamente pela sua proposta.

Nesse pouco mais de um ano, no entanto, um aspecto que a Duaik Studios poderia ter melhorado junto com o restante do jogo – mas que infelizmente continua o mesmo – são os pequenos trechos de animações que servem como cutscenes. Elas bem que poderiam ter recebido um novo tratamento ou serem refeitas. Não que cheguem a atrapalhar, mas principalmente nessa versão revista e modificada de Aritana, elas destoam da qualidade do restante do jogo.

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Como o primeiro jogo brasileiro no Xbox One, Aritana é uma ótima estreia do desenvolvimento nacional no console da Microsoft. Não chega a ser pretensioso e parece querer somente passar a experiência de um bom jogo de plataforma, e isso ele atinge muito bem.

A nova versão de Aritana e a Pena da Harpia está disponível, por enquanto, exclusivamente para Xbox One. Os desenvolvedores já garantiram que o jogo chega também ao PS4, mas somente em 2016. Já para quem possui a versão de PC, ela será atualizada para a mesma versão dos consoles em breve.

A cópia para análise do jogo foi cedida pela Duaik Studios.