Em março, o brasileiro Roberto Laudisio Curti foi morto pela polícia australiana após receber choques de taser. Ele era suspeito de assaltar uma loja. A investigação do caso concluiu hoje que Roberto estava imobilizado, mas recebeu pelo menos 14 choques de taser e spray de pimenta no rosto. O uso do taser foi considerado “selvagem e fora de controle“, e os policiais devem receber ação disciplinar.

Enquanto isso, no Brasil, a polícia de 12 Estados receberá tasers e sprays de pimenta para controlar dependentes de crack.

No Rio de Janeiro, o Estado que recebeu mais recursos, serão 250 tasers e 750 sprays de pimenta nas mãos dos policiais, que ainda serão treinados. O objetivo principal é combater as cracolândias, que se multiplicaram após a ocupação de morros na capital.

O uso de tasers é polêmico ao redor do mundo. A Anistia Internacional já se demonstrou contra o abuso da arma menos letal, que matou 500 pessoas nos EUA desde 2001

E na Austrália, onde foi morto o brasileiro, a juíza que investigou o caso pede uma revisão imediata dos critérios para a polícia usar armas de choque.

A polícia brasileira deveria usar tasers para lidar com viciados em crack? A psiquiatra Analice Gigliotti, da Santa Casa do Rio, diz à Folha ser favorável à decisão, por vê-la como uma questão policial. Mas lembra: “em um paciente que já apresenta uma sobrecarga no organismo, em uma crise hipertensiva, [o taser] pode ser letal, e até levar a um ataque cardíaco”. Enquanto isso, outros especialistas defendem um foco maior no tratamento dos usuários – e levar choques não faz parte disso.

Além da questão de saúde, há outro problema: o possível uso indiscriminado pela polícia. Casos de abuso policial envolvendo tasers não são novidade nos EUA. A Secretaria de Segurança do Rio promete que as armas “serão usadas apenas em caso de extrema necessidade” – mas quem vai controlar isto?

O uso de tasers no Brasil não é novidade: foram liberadas 7.730 armas para importação entre 2008 e 2011, segundo o Exército Brasileiro. E já ocorreram mortes após tiros de taser no Brasil: uma em Florianópolis, e outra em Porto Alegre, ambas em março deste ano.

Mas o uso de tasers deve aumentar, e não apenas devido ao programa “Crack, é possível vencer”: a Força Nacional de Segurança estuda usá-los para reforçar a segurança durante a Copa de 2014. À medida que seu uso cresce, a polêmica deve aumentar. Qual a sua opinião?  [Folha]

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