Feita de rolos coloridos caindo em cascata em uma parede, a instalação “Concordo“, do artista Dima Yarovinsky, é bem bonita — na superfície. No entanto, se você ler as letras miúdas, descobrirá que é uma manifestação contra a nossa concordância cega com as gigantes da tecnologia.

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Cada rolo são os termos de serviço de uma empresa de tecnologia, e, ao fim de cada um deles, informações como a quantidade de palavras e o tempo que levaria para serem lidos. Yarovinsky focou em serviços que usamos regularmente, exibindo os acordos de usuário de Instagram, Snapchat, Facebook, Twitter, Tinder, Google e WhatsApp. Ele contou ao Gizmodo, por email, que queria mostrar o quão “pequenos” e “indefesos” somos contra o poder de corporações gigantes, especificamente quando se trata de aceitar cegamente seus termos de uso. Yarovinsky apontou que essas documentos não abrem margem para negociação e que algumas pessoas talvez nem saibam que concordaram com eles.

Foto: Dima Yarovinsky

“Assinalar a caixa ‘Li e concordo com os termos’ é a maior mentira na rede hoje em dia”, disse o artista. Ele destaca que a pessoa média lê 200 palavras por minuto, mas que os termos de serviço típicos têm aproximadamente 12 mil palavras. Isso significa que levaria uma hora para alguém ler o termo de uso médio desses serviços.

Yarovinsky não está errado ao dizer que maioria das pessoas não lê esses acordos antes de clicar neles. Segundo um experimento conduzido por dois professores de comunicações em 2016, centenas de universitários aceitaram, negligentemente, os termos de serviço para entrar em uma nova rede social, como informa o Guardian. Ao fazerem-no, eles concordaram em dar à rede social seu primeiro filho nascido. A rede social era falsa, mas os resultados do experimento indicam que as pessoas são rápidas em assinar basicamente qualquer coisa quando confrontadas com acordos exaustivos. De forma parecida, 22 mil pessoas concordaram em fazer mil horas de trabalho — incluindo raspar chicletes da rua e limpar privadas — quando assinaram os termos de uso de Wi-Fi de uma empresa no ano passado. Só uma pessoa aponto a cláusula insana para a empresa, que disse tê-la inserido como parte de um experimento.

Foto: Dima Yarovinsky

Infelizmente, também existem muitos exemplos do mundo real de como isso pode dar errado. O Facebook recentemente atualizou seus termos de serviço de forma que não fossem um inferno de ser lidos — ele ainda coleta o histórico das suas chamadas e mensagens de texto, por exemplo. E quando os usuários concordam com os termos de uso do Uber — ao simplesmente usarem o app —, estão abrindo mão de seus direitos a um julgamento com júri, uma política que uma série de mulheres está combatendo atualmente.

O projeto de Yarovinsky faz parte de um curso infográfico da Academia de Artes de Bezalel. A exposição está atualmente instalada na Universidade de Aalto, na Finlândia, como parte da conferência Visualizing Knowledge.

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Imagem do topo: Dima Yarovinsky