A Wikipédia nasceu para ser uma enciclopédia diferente das impressas: livre, com colaboração de todos, disponível na web. Colocá-la em papel meio que acaba com essa ideia, além de ser quase impossível — quase, pois foi isso que o artista, designer e programador Michael Mandiberg fez.

Ele levou três anos para imprimir 7.600 volumes de artigos da versão de língua inglesa da enciclopédia livre. São 11,5 milhões de entradas feitas por 7,5 milhões de pessoas que agora estão dispostas em papel e tinta.



Segundo o New York Times, são 91 volumes só para o índice de artigos, mais de 500 só com artigos cujo título começa com símbolos e números e 36 volumes com índice dos colaboradores dos artigos. A ideia, diz Mandiberg, era mostrar a “futilidade do tamanho da big data”. Enfim, arte.

Não é a primeira vez que o artista e programador, que também é professor na City University of New York, cria um projeto meio maluco envolvendo a internet. Em 2001, ele fez o Shop Mandiberg, uma loja online que colocava à venda tudo — tudo mesmo — que ele tinha. Ele também fez uma extensão para Firefox que mostra, em sites de viagens, qual a emissão de carbono para cada trajeto.

A ideia de imprimir a Wikipédia envolveu criar um software para criar uma versão para impressão de cada um dos artigos da Wikipédia em inglês. A exposição From Aaaaa! to ZZZap!, que abre nesta quinta na Denny Gallery, em Nova York, vai pegar os 11 GB de arquivos comprimidos e enviá-los para o site de impressão Lulu.com, que passará a vender os exemplares.

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Pelo que dá para ver no preview, o resultado final nem é tão legível: os artigos foram divididos em três colunas, o que inclui as tabelas, que acabaram bem espremidas. Mas, claro, isto não importa!

São 80 dólares por cada um dos volumes e US$ 500 mil por tudo — o prazo é de duas semanas para ficar pronto. O preço não inclui as estantes que você vai precisar para colocar tudo isso. [ShortList, Huh, The New York Times]