Era tarde da noite de 4 de agosto de 1962 quando a atriz Marilyn Monroe morreu em sua cama em Los Angeles. Tinha apenas 36 anos e sua vida se encerrou com uma overdose de barbitúricos – considerada oficialmente como suicídio acidental. Foi encontrada apenas na manhã do dia 5.

Ali, MM tornava-se um mito ainda maior do que já era. De estrela mais famosa do cinema, ela passava para a história do século 20, uma imagem reconhecível até por quem nunca assistiu qualquer de seus filmes. Capaz de levar alguém a gastar alguns milhões num leilão para tomar posse de um quadro de pop art de Andy Warhol com o rosto de Marilyn.

Imagem: Reprodução/New York Mirror

Essa permanência nos últimos 60 anos deve-se muito à legião de imitadoras. Das profissionais anônimas que se fantasiam de MM para animar eventos ou se apresentar em casas noturnas até as mulheres que vivem seus 15 minutos de Marilyn posando para  ensaios fotográficos para revistas de moda, entretenimento ou masculinas. E, é claro, as atrizes que interpretaram a estrela no cinema, na TV e em clipes de música.

Marilyn provavelmente não se incomodaria, pois considerava-se sócia nº 1 deste clube.

“Toda minha vida atuei como Marilyn Monroe, Marilyn Monroe, Marilyn Monroe… O que eu faço é uma imitação de mim mesma”, desabafou certa vez para o diretor de cinema Henry Hathaway.

Identidade era algo complicado para quem nasceu Norma Jeane Mortenson (sobrenome do pai), tornou-se Norma Jeane Baker (sobrenome de um padrasto) na infância e adotou como nome artístico Marilyn Monroe, usando o sobrenome de solteira da mãe.

O 60º aniversário da morte de Norma Jeane/Marilyn coincide com a expectativa pela nova cinebiografia Blonde, uma produção da Netflix com a atriz cubana Ana de Armas trocando seus cabelos escuros de sempre pelo penteado platinado para viver Marilyn.

Imagem: Divulgação

O filme terá estreia mundial em 23 de setembro, mas o trailer já bastou para irritar certo tipo de fãs. Muitos reclamaram do sotaque latino de Ana.

Antes de Ana, muitas se transformaram em Marilyn nas telas. Algumas atrizes famosas e outras hoje esquecidas ou que nunca foram muito conhecidas. Destacamos algumas resumidamente a seguir.

Misty Rowe em Goodbye, Norma Jean (1976)

Apesar de algumas imitações disfarçadas em filmes ou Marilyns em peças de teatro alternativas em Nova York, esta foi a primeira vez em que a estrela foi interpretada nas telas com nome e sobrenome. Cenas de Misty neste filme foram reaproveitadas em 1989 numa espécie de sequência chamada Goodnight, Sweet Marilyn, com Paula Lane como Marilyn.

Catherine Hicks em Marilyn: The Untold Story (1980)

Um filme para a TV, e isso fazia muita diferença antigamente – muitos viam esse tipo de produção como de segunda categoria em relação ao cinema. Foi exibido pela emissora ABC em 28 de setembro de 1980. Chegou a ser exibido no Brasil como Os Amores de Marilyn. A atriz Hicks foi elogiada na época e concorreu ao prêmio Emmy de melhor atriz dramática.

Madonna em “Material Girl” (1985)

Um videoclipe instantaneamente clássico quando foi ao ar na MTV em seu grande auge. admiradora de MM, a loira platinada Madonna – já um sucesso mundial por causa de “Like a Virgin” – decidiu ser uma reencarnação de Marilyn cantando “Diamonds Are a Girl’s Best Friend” no filme Os Homens Preferem as Loiras (1953).

A música é outra, mas as minúcias visuais são impressionantes. Perdeu o Video Music Awards da MTV para um clipe de Tina Turner do qual pouquíssimos se lembram. Já o vídeo de “Material Girl” é duradouro.

Madonna voltou a prestar um tributo maior a Marilyn num ensaio para a revista Vanity Fair de abril de 1991, fotografada por Steven Meisel.

Theresa Russell em Insignificance (1985)

No Brasil, chegou aos cinemas como Malícia Atômica. O enredo meio doido imagina Marilyn trancada num quarto de hotel de Nova York em 1954 com seu marido na época e ídolo do beisebol Joe DiMaggio, o cientista Albert Einstein e o senador caçador de comunistas Joseph McCarthy. Este último é interpretado pelo antigo astro Tony Curtis, que contracenou com a Marilyn real em Quanto Mais Quente Melhor (1959).

Susan Griffiths em Pulp Fiction (1994)

A atriz é uma “MM profissional” e, desde 1983, apareceu como ela em mais de dez filmes, séries e clipes. O papel maior foi como protagonista de Marilyn and Me, de 1991. Mas o filme mais conhecido é este do diretor Quentin Tarantino, em que Susan vence um concurso de sósias graças à cena do vestido levantado de Marilyn em O Pecado Mora ao Lado (1955).

Ashley Judd e Mira Sorvino em Norma Jean & Marilyn (1996)

Batizado no Brasil de A Verdadeira História de Marilyn Monroe, tem duas jovens atrizes então em ascensão que depois caíram em ostracismo. Ashley foi bem com a parte Norma Jean (foi indicada ao Globo de Ouro), mas Mira não convence como a Marilyn da história.

Barbara Niven em The Rat Pack (1998)

Filme da HBO sobre o Rat Pack, a turma bon vivant comandada por Frank Sinatra (interpretado por Ray Liotta, de Os Bons Companheiros, que morreu recentemente) no fim dos anos 1950. A história inclui o então senador e futuro presidente dos EUA John F. Kennedy crescendo o olho na direção de Marilyn Monroe. No Brasil, o filme tem o terrível título Os Maiorais, que felizmente ninguém adota.

Mariah Carey em “I Still Believe” (1999)

Videoclipe em que a cantora Mariah Carey recria um momento clássico mas menos imitado de Marilyn: a visita dela para os soldados americanos na Guerra da Coreia em 1953.

Poppy Montgomery em Blonde (2001)

O título é igual ao do novo filme de Ana de Armas. Mas esta foi uma minissérie em dois episódios baseada no livro da escritora Joyce Carol Oates publicado um ano antes. A crítica achou a produção muito fantasiosa.

Samantha Morton em Mister Lonely (2007)

A grande curiosidade deste filme: Samantha é uma imitadora profissional de Marilyn que vive um romance com um colega de profissão especializado em Michael Jackson…

Charlotte Sullivan em The Kennedys (2008)

Inevitavelmente, a minissérie de oito episódios tem uma Marilyn cantando “Happy Birthday, Mr. President” diante de 15 mil pessoas com um vestido grudado na pele e voz carregada de sexo no evento de comemoração do 45º aniversário de John Kennedy em maio de 1962 no Madison Square Garden, em Nova York.

Michelle Williams em My Week with Marilyn (2011)

Talvez o melhor dos trabalhos desta lista. Tem até um nome brasileiro adequado (Sete Dias com Marilyn). Foi baseado nas memórias de um camareiro durante a passagem de Marilyn por Londres em 1956. Visualmente, Michelle é uma das melhores Marilyns da história do audiovisual. E foi indicada ao Oscar pela terceira vez por sua atuação.

Uma Thurman, Katharine McPhee e Megan Hilty em Smash (2012-2013)

As três atrizes têm seu “momento Marilyn” nesta série de TV que durou pouco sobre as disputas de bastidores de um espetáculo da Broadway sobre Marilyn Monroe chamado “Bombshell”.

Blake Lively em Gossip Girl (2012)

No 100º episódio, Blake, estrela desta série de sucesso na época, se enfia num vestido cor-de-rosa, bota uma peruca loira vintage e dubla Marilyn cantando “Diamonds Are a Girl’s Best Friend”. Sem qualquer razão aparente.

Kelli Garner em The Secret Life of Marilyn Monroe (2015)

Minissérie em dois episódios. Kelli foi bastante elogiada pela atuação. O enredo aborda a relação de Marilyn com a mãe Gladys, que passou a vida em asilos e hospitais por esquizofrenia desde a infância da atriz. A grande Susan Sarandon encarna a senhora doente.

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