A história já é conhecida de todos. Em 2007, Steve Jobs —vestindo a famosa gola rolê preta-– apresentou o iPhone, o “celular revolucionário” que mudaria o mundo moderno.

O iPhone original popularizou recursos que se tornariam a espinha dorsal da telefonia móvel, incluindo recursos como a tela sensível ao toque e (eventualmente) as lojas de aplicativos.

Desde então, as fabricantes rivais da Apple avançaram para construir os modelos de smartphone que vemos hoje: dispositivos móveis que permitem consumir diferentes mídias, fazer fotografia e se comunicar com qualquer pessoa do planeta.

Aqui, listamos algumas das melhores inovações em smartphones que surgiram após o iPhone.

Múltiplas lentes de câmera

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Por mais que câmeras duplas já existissem nos antigos celulares, uma segunda lente para melhorar a fotografia realizada em smartphones chegou apenas em dispositivos como o HTC M8 e o LG G5.

O M8 tinha apenas uma câmera real, mas usava uma segunda lente como sensor de profundidade, para dar aos usuários mais controle sobre as fotos.

Já o G5 da LG adotou uma abordagem mais convencional, usando uma câmera padrão de 16 megapixels e uma lente ultra grande angular de 8 MP, que tinha um campo de visão de 135 graus para que você pudesse capturar paisagens, arranha-céus, assim como objetos próximos.

Mais tarde, a Huawei lançou o P9 em parceria com a Leica. Ele tinha duas câmeras na parte traseira, uma das quais capturava detalhes monocromáticos (preto e branco). Você poderia tirar fotos em preto e branco separadamente, mas a mágica ocorria quando era combinado as informações capturadas pela lente monocromática com a câmera padrão.

Mais tarde, a Apple lançaria o iPhone 7 Plus com uma câmera principal de 12MP e uma lente telefoto de 12MP para zoom óptico de 2x.

Atualmente, dispositivos como Galaxy S22 Ultra, Pixel 6 Pro e iPhone 13 Pro Max vêm com lentes padrão, ultra-angular e telefoto.

Telas AMOLED

Muita gente não sabe, mas a Nokia – e não a Samsung – foi a primeira a equipar um telefone com tela AMOLED, quando lançou o N85 – um “smartphone” de última geração com tela Matrix OLED de 2,6 polegadas.

Desde então, as telas AMOLED estão presentes nos principais dispositivos de todas as grandes marcas, incluindo a Apple, começando com o iPhone X.

A escolha por essa tecnologia tem um bom motivo. As telas AMOLED tem cores vívidas, geram níveis de preto perfeitos e taxas de contraste infinitas, além do benefício de consumir menos energia.

Porém, a tecnologia das telas ainda está em evolução, com as recentes adições do miniLED e microLED. Entretanto, mesmo em 2022, o AMOLED continua sendo a opção principal para boa parte dos dispositivos móveis.

Carregamento rápido

Desde o primeiro iPhone, o tempo em que as pessoas passam utilizando smartphones vem aumentando numa velocidade superior ao do desenvolvimento da tecnologia de baterias de longa duração. Por isso, o carregamento rápido foi uma invenção mais do que bem-vinda.

Por mais que exista um debate sobre qual celular foi o primeiro a adotar o carregamento rápido, o OnePlus merece destaque. O chamado “Warp Charge” da OnePlus pode aumentar a carga de 1% para 58% do celular em apenas 15 minutos. A carga completa é conseguida em pouco menos de 40 minutos.

Carregamento sem fio

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A Nokia, com o Lumia 920, foi a responsável por estrear o carregamento sem fio. Ele usou a especificação Qi, que ainda é usada hoje pelas gigantes Samsung, Apple, Google e OnePlus.

Com o carregamento sem fio, você pode colocar seu telefone em uma base de carregamento em vez de conectá-lo a um cabo. É conveniente para carregar no trabalho ou antes de dormir – bastando colocar o telefone em cima do pad.

É claro, ele tem desvantagens. Primeiro que você precisa largar o aparelho em cima do pad, o que dificulta o uso do dispositivo durante o carregamento.

Além disso, ele não é totalmente “sem fio” (o pad precisa ser conectado a uma tomada) e, embora as velocidades de carregamento tenham aumentado, a tecnologia não é muito eficiente em termos de energia.

Sensores de impressão digital e reconhecimento facial

O Motorola Atrix foi o primeiro smartphone a vir com um scanner de impressão digital, superando o iPhone 5s da Apple no recurso por dois anos.

O scanner da Motorola introduziu um recurso que nos aproxima de um mundo sem senhas e padrões de desbloqueio. Tornou o login no telefone quase instantâneo, além de servir de uma camada extra de segurança.

Os sensores de impressão digital se tornaram um recurso padrão na maioria dos modelos e, eventualmente, seriam substituídos ou complementados com reconhecimento facial, introduzido no Android 4 em 2011, mas popularizado pela primeira vez (e implementado adequadamente) no iPhone X em 2017.

Hoje, muitos telefones têm ambas tecnologias, incluindo sensores de impressão digital embutidos embaixo da tela.

Da Siri, do iPhone, ao Google Assistente

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A Siri dispensa apresentações. Não há como negar o profundo impacto da assistente de voz não apenas nos smartphones, mas em todo o setor de tecnologia de consumo.

Ela foi lançada pela primeira vez como um aplicativo em fevereiro de 2010, antes de ser integrada ao iPhone 4S.

A Siri foi a primeira assistente a nos ajudar a realizar determinadas tarefas e obter informações sem ter os nossos telefones na mão. Outros gigantes da tecnologia acabaram seguindo com suas próprias versões, algumas com mais sucesso (Google) do que outras (Samsung, Microsoft).

Agora, as assistentes inteligentes podem ser encontradas em todos os tipos de gadgets, incluindo uma variedade de dispositivos domésticos inteligentes. A Samsung, por exemplo, lançou uma geladeira com a qual é possível conversar com ela.

5G

O 5G ainda é algo novo e distante para a maioria dos usuários, mas não podemos falar sobre inovação em smartphones sem discutir a rápida evolução das redes móveis.

O 3G foi a primeira tecnologia que passou a fornecer velocidades de transferência de dados suficientes para que os usuários tenham uma experiência satisfatória navegando na internet.

O iPhone original suportava apenas redes 2G para SMS, MMS e transmissão de dados. Porém, ele foi rapidamente suplantado pelo iPhone 3G, que tinha os mesmos componentes internos, mas velocidades móveis mais rápidas.

Foi em 2010, quando o 4G chegou, que começamos a ver conteúdo multimídia rico criado no e para o smartphone. Vídeos de alta definição, jogos, streaming e outras tarefas que consumiam muitos dados foram habilitadas por uma rede que a maioria ainda usa no Brasil.

Embora haja um longo caminho pela frente, o 5G promete substituir a internet doméstica (para alguns) e permitir vários fluxos de vídeo de alta resolução, aplicativos VR e AR, além de jogos na nuvem.

Modo retrato

O recurso “Lens Blur”, do Google, disponível nos primeiros telefones Pixel foi uma das primeiras versões do que agora é amplamente chamado de “Modo Retrato”. Ele é um recurso que permite criar artificialmente uma profundidade de campo convincente semelhante ao que você pode obter de uma lente com uma grande abertura.

A abordagem do Google baseou-se em uma única lente e alguns algoritmos sofisticados para desfocar o fundo de uma imagem. Funcionou bem, mas não era tão confiável quanto o Modo Retrato da Apple, que estreou no iPhone 7 Plus.

A versão da Apple usava duas lentes para separar melhor o primeiro plano do fundo. Esse recurso, que essencialmente imitava uma das características mais desejadas de uma DSLR (ou câmera Mirrorless) e a colocava no bolso de milhões de pessoas, foi um sucesso instantâneo, principalmente entre os usuários do Instagram que queriam que suas fotos se destacassem.

Modo noturno

Imagem: Apple/Divulgação

As câmeras dos smartphones substituíram rapidamente as DSLRs, mas mesmo as melhores delas enfrentavam problemas em ambientes com pouca luz. Isso é claro, até a Huawei lançar o “Modo Noturno” no Mate 20 Pro e o Google o “Night Sight” no Pixel 3.

Finalmente, com uma mão firme e um pouco de paciência, os smartphones podiam tirar imagens nítidas e sem ruído em condições escuras. Isso fez com que as fotos tiradas à noite parecessem ter sido tiradas com equipamento de iluminação profissional.

Com o Night Sight, o Google provou ao mundo que sua abordagem de software para smartphones pode revolucionar recursos que há muito dependiam de hardware. Não demorou muito para que concorrentes, incluindo Apple e Samsung, lançassem suas próprias versões.

Fim das molduras

O Aquos Crystal da Sharp, lançado em 2014, foi o primeiro smartphone com uma tela “sem moldura”, embora o significado desse termo tenha mudado desde então. Pouco tempo depois chegou o Samsung Galaxy Note Edge, com uma tela curvada na borda.

Desde então, os fabricantes de telefones acabaram com os botões “home” e estenderam a tela para todas as quatro bordas, criando telefones praticamente sem moldura.

As câmeras frontais agora estão alojadas em um entalhe ou furos na tela, enquanto os sensores de impressão digital agora estão ocultos sob a tela.

Telas dobráveis

Por mais que a tecnologia seja emergente e com um futuro incerto, ela ainda é desajeitada e superfaturada.

O Galaxy Fold original, por exemplo, era um telefone tão frágil que o lançamento dele foi interrompido até que a Samsung pudesse fazer uma nova versão.

A segunda tentativa, corrigiu a maioria dos problemas de durabilidade de seu antecessor. Porém, foi com o Galaxy Z Fold 3 que começamos a ter a esperança de que esses aparelhos se tornem comuns no dia a dia.

Vale lembrar que a fabricante já está desenvolvendo o “Galaxy Tri-Fold“, um telefone dobrável duplo – com duas dobradiças que dividem o aparelho em três telas.