Por Bruno Izidro

A última terça-feira, 1º de setembro, foi especial para muitos jogadores. Depois de muita espera, hype e rumores envolvendo o criador Hideo Kojima, Metal Gear Solid V: The Phantom Pain foi lançado.

Para aqueles que se interessam e acompanham o mundo dos games, a (possível) última aventura de Snake/Big Boss com certeza vai ser o assunto das próximas semanas, e não só por causa da sua importância, mas também por ser um grande jogo… em todos os sentidos, já que são necessárias algumas dezenas de horas para poder completar as missões principais.

Por isso mesmo, ainda estamos bem no início da aventura. Mas já nessas primeiras horas The Phantom Pain mostra a que veio, com alguns momentos bem interessantes e outros bem óbvios. Aqui listamos algumas delas.

Uma abertura digna de vender o mundo

A série Metal Gear sempre se utilizou de canções para causar um impacto maior em momentos importantes. Exemplos disso não faltam nos jogos, como “The Best Is Yet To Come” no encerramento do primeiro Metal Gear Solid ou a já clássica “Snake Eater” no início de Metal Gear Solid 3.

Em The Phantom Pain, o jogo já abre de forma sensacional com “The Man Who Sold The World”, de David Bowie (talvez você conheça do cover feito pelo Nirvana). Como a trama se passa em 1984, ouvimos uma versão da música toda adaptada para o som da época, com bateria eletrônica e sintetizadores.

Se analisarmos um pouco a música, podemos sacar que ela não foi escolhida à toa para estar ali, principalmente no trecho da letra que fala:

“I thought you died alone, a long, long time ago”

(“Achei que você tinha morrido sozinho, muito, muito tempo atrás”).

Isso pode muito bem ser associado ao estado em que Snake aparece no início do jogo. Ele havia sido dado como morto após o que aconteceu em Ground Zeroes e ficou longos nove anos em coma.

Invadindo ao som dos anos 1980

Ainda no aspecto musical do jogo, The Phantom Pain possibilita jogar normalmente enquanto se ouve fitas K7 (ou cassetes) direto do seu iDroid. Isso já acontecia em Ground Zeroes, mas a diferença é que agora há toda uma gama de músicas que faziam sucesso na década de 1980 para escutar.

Isso causa situações, no mínimo, interessantes. Afinal, qual jeito melhor de se infiltrar uma base inimiga se não ao som de “Only Time Will Tell”, da banda Asia?

As músicas não estão liberadas logo de cara e para desbloqueá-las é preciso achar as respectivas fitas K7 espalhadas pelas missões do jogo. Essa é um ótima desculpa para voltar a áreas já visitadas à procura daquela sua música preferida dos anos 80.

Snake está mudado, mas ainda não é o Big Boss

Desde o final de Metal Gear Solid 3 esperamos para ver como o soldado conhecido como Naked Snake se transformou no grande antagonista Big Boss que aparece no primeiro Metal Gear (o de 1987 do MSX). Veio Peace Walker, Ground Zeroes e nada. Como esse é o último capítulo da saga, uma das promessas é que vejamos o herói se tornar o vilão.

Nas primeiras horas do jogo, dá para perceber que estamos controlando um Snake diferente. O personagem, que agora é dublado por Keifer Sutherland, é bem mais calado e introvertido do que o Snake que sempre foi feito por David Hayter. O personagem também abandonou a alcunha de Naked Snake e agora é conhecido como “Venom” Snake (apesar de, na prática, ainda ser chamado só de Snake mesmo).

Snake no po

Ele agora é um homem que deixou o discurso ideológico de “exército sem nação” dos jogos anteriores um pouco de lado para ir em busca de uma só causa: vingança. Mesmo que uma parte de Snake tenha, de fato, morrido após o que aconteceu em Ground Zeroes, ainda não temos o Big Boss em sua forma completa. Ver essa transformação durante The Phantom Pain é algo que pode ser muito bom.

Uma junção de Peace Walker e Ground Zeroes

Em termos de história, The Phantom Pain é uma continuação de Metal Gear Solid 3: Snake Eater, Metal Gear Solid: Peace Walker e, obviamente, a primeira parte Metal Gear Solid V: Ground Zeroes (nessa ordem). Já pela jogabilidade, ele é uma evolução e expansão dos conceitos mostrados nos dois últimos.

A estrutura é a mesma apresentada em Peace Walker, com uma quartel general em alto mar e que mais uma vez é chamada de Mother Base. Lá você gerencia o seu grupo de mercenários, expande a base fisicamente e escolhe as missões que irá realizar em seguida, tudo igualzinho ao jogo de PSP.

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As missões são uma extensão do que vimos em Ground Zeroes, com mapas abertos, de livre exploração e com diferentes tipo de abordagem até os alvos. Claro que agora tudo é maior e com mais elementos, tanto que precisamos de um cavalo para melhor locomoção pelas áreas, mas a base do jogo é bem o que vimos na primeira parte de MGS V.

A Hideo Kojima Game

Todo o rumor e polêmica sobre as tretas de Hideo Kojima e a produtora Konami começou quando a frase “A Hideo Kojima Game” foi tirada de todo o material promocional de The Phantom Pain e nem na capa do jogo o criador da série é mencionado.

No jogo o nome de Kojima e da Kojima Productions aparecem a todo instante, mas mesmo se não estivessem lá, as primeiras horas já mostram que The Phantom Pain é um legítimo jogo dele.

Algumas das “Kojimices” até já foram faladas acima, mas vemos o toque do game designer principalmente ao apresentar um jogo contextualizado em eventos reais da histórias, que no caso de The Phantom Pain é a invasão da União Soviética ao Afeganistão, e logo apresentar eventos fantásticos surreais, como um homem chama e soldados que parecem criaturas alienígenas.

Pelo menos nessas primeiras horas, o que se pode esperar de Metal Gear Solid V: The Phantom Pain é resumido na imagem abaixo (e isso é um bom sinal).

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Metal Gear Solid V: The Phantom Pain está disponível para Xbox One, PS4 (versão testada) e PC por R$ 200. A cópia do jogo foi cedida pela Sony e Konami.