O fato de todos os olhos ficarem vidrados e cheios de expectativas para os lançamentos da Nokia de aparelhos com Windows Phone dá à família Asha um grau de desprendimento incomum: eles podem nos surpreender sem muitas dificuldades. É o que acontece com o novo Asha 501, uma interessante mistura de bons elementos — o que não o impede de decepcionar em alguns pontos.

Empunhar o Asha 501 dá uma certa sensação de déjà-vu para qualquer um que já tenha colocado as mãos em Lumia 620: um teste de paternidade aprofundado atestaria que o parentesco de ambos é enorme. A semelhança acontece por causa da traseira emborrachada e bem construída, que funciona como uma capa de fácil remoção. As curvas são semelhantes, e mesmo com uma peça enorme removível, o Asha 501 passa a ótima sensação de um telefone resistente e bem construído.

A semelhança destoa quando você repara que o Asha 501 é um celular “cheinho”, com 1,2 centímetro de espessura. Pudera: como o aparelho tem apenas três polegadas de tela e é bem compacto (9,9 cm de altura), é impossível colocar todos os seus componentes num visual esguio e anoréxico. E, mesmo mais espesso, ele pesa míseros 98 gramas.

O novo sistema (e o adeus do S40)

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Mas, apesar da aproximação com a família Lumia, o ponto mais radical e novo no Asha 501 é seu sistema operacional. Peter Skillman, que cuida da interface de celulares da Nokia, deixou claro que não se trata de uma skin por cima do S40: há aqui um novo sistema, baseado no Smarterphone OS (da empresa Smarterphone, comprada pela Nokia em 2011) e cheio de detalhes de Skillman.

Skillman, inclusive, merece um comentário à parte: ao lado de Matias Duarte, ele foi o responsável pela criação do empolgante (e fadado ao fracasso) webOS. Cada um seguiu seu caminho e Skillman foi parar na Nokia, onde cuidou de outro projeto que, ironicamente, teve o mesmo destino do webOS: o Meego agradou muitos entusiastas de tecnologia, mas não recebeu muito carinho da Nokia e foi esquecido. Agora, o desafio de Skillman era ainda maior: usar todo este histórico em sistemas rápidos e cheios de gestos para revolucionar um mercado duro e complicado – celulares com especificações medianas e sem grande capacidade de processamento.

E é isso que a Nokia Asha Platform quer entregar: um sistema fluído e prático, acompanhado de uma loja de apps que atraia desenvolvedores. Na primeira parte, o novo sistema traz algumas grandes melhorias: logo na tela de desbloqueio você pode acessar notificações, abrir mensagens ou receber notícias. Desbloqueado, o sistema traz uma home com os apps enfileirados, e outra com o que a Nokia chama de Fastlane, uma grande central de notificações e notícias — seus últimos apps, jogos, lembretes, mensagens e ligações ficam por lá. Além disso, o sistema tem uma central de notificações que remete ao webOS — e também lembra a solução do Android. Gestos são a base do novo sistema, e por isso o aparelho tem apenas um botão central (Skillman me contou que usa tanto os gestos que simplesmente nunca usa o botão central).

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A proposta é bonita e funciona, mas nem tudo são flores: como vocês podem ver no vídeo acima, o app do Facebook demorou um bom tempo para carregar. E isso será importante para o futuro da plataforma: a Nokia fez questão de mostrar quão empolgada está com os desenvolvedores de apps mais básicos, e que a nova plataforma Asha terá in-app purchases em jogos e outros aplicativos, além de um sistema de “try & buy”, um espécie de trial para atrair mais consumidores (apps do S40 precisarão ser adaptados e atualizados ao novo padrão de tela e ao novo sistema) . Mas a Nokia terá que tomar bastante cuidado para não infestar a loja de apps lentos e inúteis, mesmo para um celular básico.

E, no fim das contas, você percebe com clareza que Asha 501 é um aparelho bem básico. A tela, com resolução de 320 por 240 pixels, exibe imagens nada empolgantes e é possível ver cada linha de pixels nela. A velocidade não empolga. Mas se pensarmos que ele custará US$99 e tem uma construção muito acima da média para sua categoria, não é difícil imaginar o 501 como um sucesso. Principalmente se a Nokia fechar mais acordos como a que fez na Índia, onde o acesso ao Facebook pelo aparelho será gratuito (é uma das formas de amenizar a ausência do 3G). No Brasil, tal acordo ainda não chegará — e o próprio 501 só será lançado no terceiro trimestre, deixando o país fora da primeira lista de países que o receberão em junho. E se seu sucesso está tão atrelado ao preço, resta saber quanto ele custará em terras brasileiras. Aí sim descobriremos se ele pode surpreender de vez.

Fotos

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O Gizmodo Brasil viajou para Nova Déli, na Índia, a convite da Nokia.