Astrônomos pensam ter encontrado uma população inteira de asteroides originários de fora do nosso sistema solar, de acordo com um novo artigo.

Os objetos no centro da pesquisa não foram recém-descobertos. Chamados de Centauros, são misteriosos asteroides que orbitam a região de Júpiter e além. Esses objetos possuem órbitas altamente inclinadas em relação ao plano do resto dos planetas, e em pelo menos um caso, orbitam da forma “errada” em relação ao resto dos objetos do sistema solar.

Ao fazer uma espécie de engenharia reversa com as leis da física, os cientistas Fathi Namouni, da Université Côte d’Azur, na França, e Helena Morais, da UNESP, no Brasil, descobriram que 19 desses objetos provavelmente tiveram origem em torno de outra estrela.

Os astrônomos avistaram pela primeira vez o objeto (514107) 2015 BZ509, agora chamado Ka’epaoka’awela, na pesquisa Pan-STARRS em 2015. A análise desse asteroide revelou algo surpreendente: ele estava orbitando de forma errada em torno do sistema solar em uma órbita estável mas excêntrica perto de Júpiter, em uma inclinação em relação ao resto dos planetas.

Morais e Namouni estudaram a órbita desse objeto, construíram uma simulação e fizeram uma engenharia reversa com o comportamento de um milhão de objetos imaginários que se encaixam nos parâmetros orbitais de Ka’epaoka’awela, cada um com propriedades ligeiramente diferentes dentro da margem de erro das observações originais.

A maioria dos objetos simulados ou chocou com o Sol e outros planetas ou foram ejetados do sistema solar, mas ambos os casos não produziram histórias de origem lógicas para os asteroides quando realizaram as simulações sem a reversão do tempo, explicou Namouni.

Os objetos que obedeceram às leis da física ficaram estáveis desde a fundação do sistema solar, há 4,5 bilhões de anos. Os pesquisadores interpretaram suas observações como se os objetos tivessem sido capturados de outros lugares.

Enquanto alguns cientistas duvidavam dessa conclusão, já que outras explicações não haviam sido totalmente descartadas, Namouni e Morais continuaram em sua busca. Fizeram simulações semelhantes com o tempo inverso para outros Centauros e alguns objetos além de Netuno, especificamente aqueles que formam um ângulo de mais de 60 graus entre o plano planetário e sua órbita.

Para 19 desses objetos, não só as órbitas estáveis permaneceram no final das simulações, mas também assumiram orientações relativas aos planetas que não poderiam ser explicadas se esses objetos fossem formados em nosso sistema solar.

A dupla concluiu que tinham encontrado uma população inteira de objetos capturados de fora do sistema solar e publicou seus resultados esta semana no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Namouni disse ao Gizmodo que, apesar do recuo inicial, ele não viu artigos revisados por pares que contradisseram os resultados de 2018. Mas é sempre possível que alguma outra explicação se encaixe corretamente no mais novo conjunto de cálculos da equipe – uma origem interestelar é apenas uma forma potencial de explicar os dados que eles vêem.

Por outro lado, este é apenas um estudo de outliers – de valores aberrantes ou atípicos. Quem sabe se outras rochas de fora do sistema solar estão à espreita entre as entidades mais familiares? Afinal, fomos recentemente visitados por dois cometas de fora do sistema solar, um dos quais não parecia muito diferente dos cometas que se originam dentro do sistema solar.

Objetos interestelares em órbita estável dentro do nosso próprio sistema solar seria um achado animador, é claro. E se esses Centauros são realmente originários de outra estrela, então os astrônomos poderiam aprender sobre a composição desses sistemas distantes estudando os Centauros mais de perto.