Às vezes a gente esquece que a web não é de domínio público. Mas casos como este nos fazem lembrar: uma editora resolveu simplesmente copiar textos da web em suas apostilas para concursos públicos. Sem mencionar nenhum autor, ela fatura R$50 a unidade pelo que pode ser “um dinheiro jogado no lixo”.

Segundo o Jornal da Tarde, a pesquisadora Shirley Pereira Cardoso comprou uma apostila a fim de estudar para um concurso público. E qual não foi sua surpresa quando ela encontrou no material um artigo dela, escrito durante seu mestrado, que a editora publicou sem autorização e sem citar o autor. “Ao reconhecer meu texto, não acreditei, perdi o reflexo”, disse Shirley.

A apostila, da editora Nova – Apostilas para Concursos Públicos, também inclui outros artigos científicos, textos da Wikipédia e até de blogs pessoais. Um texto sobre música que Renan Machado Guerra escreveu em seu blog, quando tinha 16 anos e cursava o ensino médio, também foi parar na apostila. “O texto tem erros de lógica e não tem tanta informação relevante”, diz Renan.

O professor Alexandre Meirelles, da rede LFG, diz que as apostilas acabam sendo “um dinheiro jogado no lixo”. Elas não são recomendadas para concursos de nível superior – para isso há livros voltados especificamente para concursos.

A editora disse que terceiriza a elaboração das apostilas, e não vai se pronunciar sobre o assunto. Enquanto isso, a professora que orientou Shirley a escrever o artigo estuda processar a editora – afinal, copiar conteúdo da web sem permissão, e sem citar fontes, é plágio. [Jornal da Tarde]