No mês passado, uma pesquisa publicada na Frontier in Microbiology descreveu quatro espécies de bactérias, pertencentes à família Methylobacterium, que haviam sido encontradas a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS). A notícia parecia promissora, visto que elas poderiam contribuir para o cultivo de plantas em Marte. No entanto, conforme apontado por uma reportagem da Wired, a Nasa, famosa pelo seu amplo trabalho de divulgação, não fez muito barulho sobre o assunto, e existem alguns motivos que podem explicar isso.

Primeiramente, há uma grande chance de a bactéria não ter surgido no espaço, mas pegado carona com os astronautas até a ISS. Assim como qualquer outra pessoa comum, aqueles que têm a oportunidade de viajar para fora do planeta carregam micróbios por todo o corpo, seja no intestino, na pele, no nariz ou na boca. O que surpreende, no entanto, é a capacidade das bactérias terem sobrevivido em um ambiente tão inóspito, em que alimentos e outros recursos são limitados.

Diante desses novos desafios, a resposta natural das bactérias é evoluir e se adaptar às novas condições. Por outro lado, a ISS também não é um ambiente muito hospitaleiro para os humanos, impactando inclusive seu sistema imunológico. E bactérias mais potentes e astronautas mais vulneráveis a infecções é uma combinação perigosa. É com o objetivo de entender melhor as possíveis ameaças que a Nasa pretende enviar dispositivos de sequenciamento de DNA em suas missões.

No caso das espécies Methylobacterium encontradas na ISS, no entanto, ainda não há nenhum perigo aparente. Pelo contrário, elas ajudam a fixar o nitrogênio, o que permitiria cultivar alimentos em outros planetas, como Marte. Outra vantagem é que elas são capazes de resistir a altos níveis de radiação, superando até mesmo os humanos em viagens espaciais. O problema é, novamente, o que a lei da sobrevivência pode fazer com esses organismos.

As poucas que forem capazes de sobreviver a uma viagem a Marte, por exemplo, vão se adaptar rapidamente ao novo ambiente e começar a se proliferar. O desafio para os humanos será controlar essas bactérias para que elas ajudem a construir uma base sustentável mas, ao mesmo tempo, não dominem o planeta.

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Essa possível ameaça ao plano de colonizar Marte, além dos riscos de as bactérias se tornarem patogênicas durante uma missão podem ser os principais motivos para que a Nasa esteja muito cautelosa antes de comemorar qualquer descoberta relacionada a esses organismos.

As bactérias que sobreviverem no Planeta Vermelho terão que enfrentar intensa radiação, falta de oxigênio, além de uma série de substâncias que poderiam ser fatais a elas. Ou seja, essa seleção natural por si só indica que as melhores candidatas a contribuírem com a colonização de Marte também podem facilmente se tornar uma inimiga difícil de combater.

[Wired]