Nem todo mundo ficou empolgado com o anúncio de que o WhatsApp vai passar a permitir pagamentos e transferências entre usuários do aplicativo. O Banco Central, por exemplo, disse estar “vigilante” ao que vai acontecer com o novo sistema.

“O BC vai ser vigilante a qualquer desenvolvimento fechado ou que tenha componentes que inibam a interoperabilidade e limite seu objetivo de ter um sistema rápido, seguro, transparente, aberto e barato”, diz a nota repercutida pelo Convergência Digital. O texto ainda acrescenta que a autoridade monetária “considera prematura qualquer iniciativa que possa gerar fragmentação de mercado e concentração em agentes específicos”

Isso pode ser lido como “estamos com medo de que o WhatsApp se torne o grande intermediário dos pagamentos no Brasil” — o que até faz sentido, levando em consideração a popularidade do app no País.

A plataforma de pagamentos pelo Facebook conta com a parceria da Cielo e adesão, neste primeiro momento, de Banco do Brasil, Nubank e Sicredi. O serviço permite transferências de até R$ 1 mil sem custos para pessoas físicas usando cartão de crédito e débito.

O BC também diz acreditar ser possível integrar o Pix ao WhatsApp. O Pix é a plataforma de pagamentos instantâneos que o BC vem desenvolvendo e espera lançar até o fim do ano. O BC acredita que este projeto tem o potencial de substituir o TED e dar mais agilidade ao sistema bancário, já que estaria disponível 24 horas por dia e sete dias por semana e as transferências que demorariam alguns minutos para acontecer, podendo ser feitas usando QR code ou até o número de celular do destinatário do valor.

Não é a primeira vez que um projeto do Facebook, a empresa dona do WhatsApp, enfrenta resistência de autoridades monetárias e financeiras. A Libra, projeto de uma criptomoeda global administrada por um consórcio liderado pela empresa, foi criticada por reguladores europeus e americanos e viu vários parceiros desistirem do projeto. O projeto até mesmo mudou de nome e passou a se chamar Novi.

Os pagamentos pelo WhatsApp são um projeto bem mais modesto que a Libra/Novi — ele se baseia no Facebook Pay, que já existe há um tempo nos EUA, não inventa nenhuma moeda para usar o real e aceita cartões de crédito já existentes. Mesmo assim, além do temor de que a funcionalidade poderia facilitar golpes usando engenharia social, há também o risco de que a empresa repita nas finanças o que já fez com os dados e com a publicidade: uma grande concentração de poder nas mãos de uma única empresa.