Uma versão emoldurada da obra Garota com Balão (Girl with Balloon) feita por Banksy, o famoso grafiteiro cuja a identidade permanece desconhecida, foi vendido na casa de leilão Sotheby’s, em Londres, por pelo menos US$ 1,1 milhão.

No momento em que a obra foi vendida, um dispositivo escondido na moldura foi ativado, aparentemente sugando pouco mais de um terço da impressão e a triturando.

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O vídeo do incidente foi publicado no Instagram de Banksy junto com a legenda “o desejo de destruir também é um impulso criativo” e mostra que a moldura não parecia ter quaisquer tipo de fios conectados à ela.

Segundo o TechCruch, os registros da obra apontavam que ela foi dada por Bansky a uma pessoa em 2006. Isso significa que os componentes internos, bem como a bateria que fez o negócio funcionar, ou funcionou durante 12 anos (o que parece improvável), ou foi preparado pouco antes do leilão.

De qualquer maneira, é provável que alguém que estava no leilão tenha ativado um botão em algum controle remoto logo depois que o último lance foi decretado.

 

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. “The urge to destroy is also a creative urge” – Picasso

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Segundo a Bloomberg, tudo isso gerou uma reação típica à la Banksy:

Imagens de espanto e indignação.

A Sotheby’s disse estar discutindo o que fará com o comprador anônimo, que estava dando lances pelo celular. A Press Association, do Reino Unido, sugere que o próprio Bansky poderia estar envolvido com os lances, enquanto alguns observadores postularam a ideia de que todo o acontecido não foi tão inesperado quanto a Sotheby’s fez parecer.

Em uma coletiva que aconteceu imediatamente após a venda, a casa de leilões tentou explicar o incidente.

“Acabamos de ser alvos de Banksy”, disse Alex Branczik, líder de arte contemporânea da Sotheby’s europeia.

Claramente é possível que a obra picada agora valha muito mais dinheiro. Também não está claro se a impressão foi de fato triturada ou se uma impressão secundária rolou por debaixo em um belo truque. Mas, segundo um vídeo publicado pelo artista, a impressão foi mesmo para o brejo:

A manobra pode ser ser interpretada como uma espécie de comentário, uma reviravolta sobre a aversão de Banksy por pessoas que compram e vendem obras de arte a preços exorbitantes. O caso poderia ser interpretado também como uma “pegadinha” idiota, fundamentalmente preguiçosa e internamente inconsistente sobre o capitalismo cultural visando os arquitetos ultra-ricos do capitalismo cultural.

Como lembra um usuário no Twitter, uma outra obra de arte parece ter um pouco mais de substância quando se trata de destruição. A obra Samson, de Chris Burden, em 1988, consistia numa instalação que se determinado número de de pessoas visitassem o espaço, o Museu de Arte do Condado de Orange entraria em colapso. Os bombeiros tiveram que retirar a peça por risco de segurança.

[TechCrunch]

Imagem do topo: “Menina com balão”, triturada. Crédito: Pierre Koukjian (AP)