Embora não fosse necessário um estudo para sabermos disso, uma nova pesquisa descobriu que os cães de terapia ajudaram a aprimorar as habilidades cognitivas de estudantes universitários estressados mesmo ​​semanas depois de eles participarem de uma sessão com os animais, em um grau ainda maior do que outras opções de gerenciamento de estresse oferecidas no campus.

Em 2019, pesquisadores da Washington State University publicaram um estudo anunciado como o primeiro teste com animais de estimação terapêuticos para estudantes universitários. Eles observaram mais de 200 alunos que foram designados aleatoriamente a diferentes grupos, cada um com um nível variável de interação com o cão ou gato — alguns alunos podiam acariciar os animais, enquanto outros simplesmente ficavam perto deles ou os observavam através de uma tela. Eles descobriram que, com base em amostras de saliva coletadas antes e depois do experimento, os alunos que acariciaram os cães e gatos experimentaram quedas perceptíveis nos níveis de estresse agudo em comparação com todos os outros.

O estudo de 2019 pareceu mostrar que apenas 10 minutos de carinho em animais de terapia podem aliviar momentaneamente o estresse dos alunos. Mas, na época de sua publicação, os autores já estavam trabalhando em um experimento mais extenso — um em que os alunos foram convidados a participar de um programa de prevenção do estresse de quatro semanas com cães de terapia. Os resultados desse estudo, publicado na quarta-feira no AERA Open, indicam que esses preciosos animais também podem oferecer benefícios mais duradouros.

O estudo, que levou três anos para ser concluído, envolveu 309 alunos voluntários. Com base em uma pesquisa de triagem, cerca de um terço foi considerado com maior risco de estresse, devido ao desempenho acadêmico recente ou contínuo ou histórico relatado de sintomas mentais.

Os voluntários foram distribuídos aleatoriamente em três intervenções, cada uma envolvendo quatro sessões semanais de quatro horas com foco em temas relacionados à prevenção ou controle do estresse, como a importância de ter uma boa noite de sono ou como lidar com a ansiedade em época de provas. Um grupo interagia com os cães enquanto participava de atividades como aconselhamento entre pares ou aprendia sobre técnicas de alívio do estresse, como meditação. No segundo grupo, todos os alunos participaram de oficinas sobre esses temas, sem interação canina. E o último grupo dividiu seu tempo entre ver os cães e fazer uma versão resumida das oficinas. Antes e depois do início do programa, os alunos também fizeram um teste para medir seu funcionamento executivo, ou a capacidade de pensar no futuro e planejar metas.

Para alunos típicos, não houve diferenças significativas entre os grupos no que diz respeito ao funcionamento executivo antes e depois do programa. Mas os pesquisadores também analisaram especificamente os alunos com maior probabilidade de se sentirem estressados ​​e descobriram que os ​​que apenas passaram pelo programa de terapia com animais de estimação melhoraram suas habilidades de funcionamento executivo, em comparação com os outros dois grupos de alunos estressados. Além do mais, essas melhorias ainda permaneceram seis semanas após o término do programa.

“Para alunos altamente estressados, verifica-se que uma intervenção bastante casual, focada no envolvimento com os animais, é surpreendentemente mais eficaz do que compartilhar muito material baseado em pesquisa sobre os efeitos do estresse”, a autora do estudo Patricia Pendry, professora associada do Departamento de Desenvolvimento Humano da WSU, disse ao Gizmodo por telefone. “E isso é surpreendente porque podemos supor que os alunos estressados ​​realmente precisam de muitas dessas informações científicas.”

Enzo, o Labrador Retriever, um dos cães de terapia envolvidos no estudo da WSU. Foto: Washington State University

Como qualquer pessoa que tenha animais de estimação sabe, simplesmente estar na presença deles pode ter um efeito calmante. Pendry diz que é essa calma que pode ajudar os alunos a pensar sobre seus problemas e a tirar proveito de outros recursos, como o aconselhamento de pares, sem se sobrecarregar. Enquanto isso, as descobertas também sugerem que abordagens estritamente acadêmicas para gerenciamento de estresse podem ser contraproducentes.

“Os alunos que já estão suscetíveis ao estresse acadêmico, são os alunos que têm maior probabilidade de assistir a uma aula, independente do assunto, e de sentir aquela ansiedade. Portanto, esses programas podem ser uma reminiscência das aulas a que eles assistem todos os dias”, disse Pendry. “E acho que isso os impede de discutir e considerar como estão se sentindo ou como podem lidar melhor com isso.”

A pesquisa é a mais recente a reforçar a reputação dos cães de terapia. Durante a pandemia em curso, instituições e hospitais em todo os EUA relataram (anedoticamente) nada além de coisas positivas sobre os benefícios de seus programas de terapia com animais para residentes e pacientes.

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Dito isso, Pendry não quer que os outros exagerem as descobertas de sua equipe. Embora os cães nesses programas sejam animais de terapia altamente treinados, os serviços que eles normalmente fornecem em faculdades — passar algum tempo com os alunos e ser acariciado por eles — não devem ser considerados terapia. E embora sua própria pesquisa anterior tenha sugerido que até mesmo sessões de 10 minutos com animais de estimação podem fornecer algum benefício para o aluno médio, ela idealmente gostaria que esses programas fossem estruturados.

“Se há certas populações que podem se beneficiar, então, sem dúvida, vamos fornecer essas interações a elas. E se houver grandes grupos de pessoas que não são necessariamente afetadas, mas é agradável no curto prazo, tudo bem. Mas precisamos estar atentos, porque não temos uma quantidade infinita de equipes de cães de terapia”, disse Pendry. “Também quero que haja respeito pelos animais envolvidos. Esses animais são recursos raros e preciosos, e devemos tratá-los de acordo.”