Bitcoin, a criptomoeda mais popular do mundo, teve um pico de valorização durante a madrugada desta terça-feira (2), batendo o valor recorde em quatro meses ao ultrapassar brevemente os US$ 5.000 no câmbio Bitstamp. A moeda valorizou aproximadamente 15% e os investidores ficaram animados.

“A razão para o súbito salto nos preços ainda não está clara”, diz uma reportagem da CNBC. Seria cômico se não fosse trágico, afinal, a última bolha não acabou bem.

Em dezembro de 2017, o bitcoin bateu uma alta recorde de US$ 19.783,06. Muita gente decidiu entrar na onda quando a moeda estava caríssima. Algumas pessoas conseguiram levantar alguma grana, mas a maioria amargou sérios prejuízos. Em dezembro de 2018, o bitcoin tinha chegado ao fundo do poço, valendo cerca de US$ 3.400.

Aparentemente, estamos prestes a presenciar novos capítulos emocionantes.

Gráfico mostra variação do preço do bitcoin nas últimas 24 horasA alta da bitcoin nas últimas 24 horas. Imagem: Coindesk

O bitcoin, além de não ter lastro e ser absolutamente especulativo, não tem praticidade – tentar usar esse dinheiro pode ser um pouco difícil, uma vez que praticamente nenhum estabelecimento aceita a moeda digital.

Além disso, são necessárias enormes quantidades de energia para que as moedas sejam minadas a partir de computadores. À medida que a mineração se torna mais difícil, ela consome mais e mais energia, fazendo com que milhões de toneladas de dióxido de carbono sejam jogadas na atmosfera e acelerando a mudança climática.

O bitcoin fez surgir uma série de golpes e falcatruas, todas inspiradas em sua valorização. No ano passado, Google e Facebook proibiram anúncios de criptomoedas em suas plataformas. A rede social afirmou que a medida está relacionada com o fato de que as criptomoeda estão “frequentemente associadas a práticas promocionais enganosas” – a empresa, no entanto, planeja lançar um tipo de criptomoeda para permitir transações financeiras no WhatsApp.

Como se não bastasse, trata-se de um dinheiro desprotegido. Recentemente, o fundador de uma casa de câmbio morreu e levou com ele o acesso que permitia movimentar US$ 180 milhões – a grana simplesmente desapareceu. Pode acontecer também de perder US$ 224 milhões com a simples invasão de um celular.

Apesar da má reputação, parece que decidiram dar valor ao bitcoin novamente.

“O bitcoin tem sido negociado dentro de um intervalo vinculado há algum tempo e agora está se livrando de algumas das opiniões negativas que se acumularam em 2018”, disse Charles Hayter, chefe da empresa de comparação de moedas digitais CryptoCompare, à CNBC.

[CNBC]