A Boeing disse nesta segunda-feira (11) que espera que os órgãos reguladores dos Estados Unidos aprovem o retorno comercial dos aviões 737 MAX já nas próximas semanas. Esse modelo de aeronave está suspenso desde março, após dois acidentes, na Indonésia e na Etiópia, que resultaram na morte de 346 pessoas. O anúncio do retorno fez as ações da companhia subirem 5%, de acordo com a Reuters.

O software do Boeing 737 Max media o ângulo do avião e automaticamente tentava corrigir a aeronave quando ele acreditava que o nariz estava muito alto, o que podia fazer com que o avião perdesse a sustentação.

O sistema, chamado de MCAS (Maneuvering Characteristics Augmentation System), pode ter feito uma leitura equivocada nos dois acidentes, mas sem o opcional de luz de “divergência” para indicar que diferentes sensores podem obter leituras distintas, os pilotos não tinham como saber o que estava acontecendo. A Boeing cobrava um adicional para instalar um dos itens de segurança e, por uma falha de software, o item de alerta, que deveria ser independente, não funcionava.

A expectativa da companhia é que a FAA (Administração Federal de Aviação) aprove o retorno do serviço comercial no mês que vem e que as aeronaves voltem a voar em janeiro de 2020.

Apesar dessa previsão, as companhias aéreas é que irão definir o retorno. A American Airlines e a Southwest Airlines disseram na última sexta-feira que precisão de pelo menos um mês para completar o treinamento de seus pilotos e instalar o software corrigido pela Boeing. Neste caso, os voos podem retornar apenas em março de 2020.

“Esperamos que o Max seja certificado, com a diretiva de navegabilidade emitida em meados de dezembro. Esperamos que os requisitos de treinamento de pilotos sejam aprovados em janeiro”, disse o porta-voz da Boeing, Gordon Johndroe.

Já a FAA diz que a agência “não tem nenhum prazo para completar o trabalho”. Na semana passada, a Reuters noticiou que as agências de regulação dos Estados Unidos e Europa não conseguiram completar uma auditoria da documentação do software da aeronave por lacunas e precarização dos documentos. A Boeing, por sua vez, disse que está “tomando o tempo necessário para responder todas as questões” e que está “entregando a documentação detalhada” do avião.

A fabricante e a agência reguladora dos EUA já fizeram uma avaliação de simulador com o software do 737 MAX. Ainda é preciso sessões de simulador com pilotos de todo o mundo e mais outras três etapas de certificação.

No Brasil, o posicionamento da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) continua o mesmo desde março, quando suspendeu as operações do modelo implicando na morte de mais de 300 passageiros. A Gol, a única empresa brasileira com aviões 737 Max, também suspendeu por tempo indeterminado os voos com a aeronave.

A Boeing teve de pagar US$ 4,9 bilhões pelo prejuízo das companhias aéreas por não poderem voar as aeronaves do modelo 737 Max, além do custo dos reparos no início deste ano.

[Reuters]