A Boeing anunciou no começo deste mês que planejava lançar uma série de atualizações para o programa de treinamento e software do avião 737 Max até abril. Agora, o Wall Street Journal informa que as alterações foram “provisoriamente” aprovadas pelas autoridades da Federal Aviation Administration (órgão equivalente à Anac nos EUA), embora mais verificações e testes em solo sejam necessários antes do lançamento completo do update.

Citando fontes governamentais envolvidas com o assunto, o WSJ publicou no sábado (23), que atualização de software para o recurso MCAS (Maneuvering Characteristics Augmentation System) da Boeing em aeronaves 737 Max tornará o sistema de estabilização “menos agressivo e mais controlável pelos pilotos”:

As modificações, segundo as autoridades, criam um recurso mais gentil de prevenção de estol, redesenhado para não dominar outros comandos do cockpit ou falhas de ignição com base em leituras defeituosas de um único sensor. Ele foi concebido para empurrar automaticamente o nariz para baixo apenas uma vez – por não mais do que 10 segundos – se a aeronave estiver em perigo de perder a sustentação ou a elevação.

Parte das mudanças previstas inclui um treinamento aprimorado para a tripulação que trabalhará nesses aviões, que segundo o WSJ envolverá cursos interativos em computadores, bem como mais informações sobre como funciona o recurso de MCAS e como desativá-lo. As mudanças devem chegar nas próximas semanas.

Um porta-voz da Federal Aviation Administration (FAA) disse ao Washington Post em um comunicado que “espera que o software seja corrigido no início da próxima semana” e que a avaliação será feita “no momento”.

A Boeing disse em um comunicado à imprensa no dia 11 de março que estava trabalhando com a FAA em um treinamento aprimorado e em uma atualização de software envolvendo o recurso MCAS que seria lançado “o mais tardar em abril”.

A empresa citou em seu comunicado o Voo 610 da Lion Air, um dos dois acidentes fatais envolvendo aviões 737 Max 8. As autoridades têm investigado até que ponto um problema de software foi crucial no acidente da Lion Air, que matou 189 pessoas em outubro.

Após um acidente da Ethiopian Airlines envolvendo novamente uma aeronave 737 Max 8 que matou 157 pessoas no início de março – e que os investigadores dizem ter “semelhanças claras” com o acidente da Lion Air – a empresa anunciou que iria suspender o uso dos modelos 737 Max 8 e Max 9. A Boeing disse que a suspensão foi aplicada à sua frota global dessas aeronaves – eram 371 no total.

O CEO, presidente e chairman da Boeing, Dennis Muilenburg, disse na época que, apesar de manter “total confiança” na segurança do modelo, a suspensão foi emitida “por uma abundância de cautela”.

“A segurança é um valor fundamental na Boeing enquanto estivermos construindo aviões; e sempre será. Não há maior prioridade para nossa empresa e nossa indústria”, disse Muilenburg. “Estamos fazendo tudo o que podemos para entender a causa dos acidentes em parceria com os investigadores, implantar melhorias de segurança e ajudar a garantir que isso não aconteça novamente”.

[Wall Street Journal]