A Coreia do Norte diz ter realizado um teste de uma bomba de hidrogênio nesta quarta-feira. Segundo o governo local, a detonação teve sucesso. Não sabemos ainda se de fato houve o tal teste, mas há relatos da ocorrência de um tremor próximo ao suposto local do evento.

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Cerca de 50 quilômetros ao norte de Kilchu, no principal sítio de testes nucleares da Coreia do Norte, uma agência sul-coreana detectou um “terremoto artificial”. A agência geológica dos EUA também detectou no mesmo local uma atividade sísmica de magnitude 5.1. Por fim, a ONU também detectou tremores na região.

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O país já realizou testes nucleares na mesma região no passado. O último deles foi em 2013, quando a agência de geologia dos EUA detectou um tremor de magnitude 5.1 – mesma coisa do suposto teste da bomba de hidrogênio de hoje, o que é mais um indício de que de fato ocorreu tal teste por parte dos norte-coreanos.

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De acordo com o Guardian, o governo norte-coreano alega ter “direito legal” de se defender dos Estados Unidos, e, por isso, realizou tal teste. É a mesma argumentação usada nos testes anteriores – a Coreia do Norte diz que, se os EUA não ameaçarem a soberania do país, não haverá necessidade alguma do uso das armas nucleares.

O potencial da bomba

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Foto via MShades sob licença Creative Commons

A bomba que a Coreia do Norte diz ter usado é conhecida como bomba H. À BBC, o cientista Matthias Grosse Perdekamp, da Universidade de Illinois, nos EUA, disse que essa é a mais poderosa arma nuclear do planeta.

A bomba mais potente já explodida no mundo foi a chamada “Bomba-Czar”, detonada em um teste feito pela União Soviética em 1961. Ela teve uma potência de 50 megatons – 3 mil vezes mais poderosa do que a de Hiroshima. A suposta bomba norte-coreana se parece com essa.

A BBC explica como funcionam as bombas de hidrogênio:

As bombas de hidrogênio, porém, funcionam seguindo um processo de fusão nuclear, oposto ao da bomba de fissão: em vez de partir ou quebrar, diversos átomos – nesse caso, os de isótopos do hidrogênio deutério e trítio – se juntam formando núcleos maiores antes de explodir.

“A potência que pode ser alcançada com a fusão nuclear basicamente não tem limites”, diz Perdekamp à BBC Mundo, serviço em espanhol da BBC.

Não há garantias, no entanto, de que a potência da bomba norte-coreana foi a mesma da soviética. Ainda de acordo com a BBC:

A primeira explosão nuclear se encarrega de gerar a elevadíssima temperatura necessária para que os isótopos de hidrogênio se fundam, o que explica porque a bomba H também é chamada de termonuclear.

A potência final é determinada pelo volume de hidrogênio, mais precisamente seus dois isótopos radioativos, o deutério e o trítio.

[Gawker, Guardian, BBC, Gizmodo US, UOL]

Foto: ditador norte-coreano Kim Jong Un por AP Photo/Wong Maye-E