Semana passada, todo mundo ficou empolgado quando cientistas do CERN anunciaram que provavelmente encontraram o bóson de Higgs, partícula que dá massa e mantém o universo sob controle. Mas outros físicos dizem que o CERN pode ter encontrado um impostor.

Os cientistas Ian Low, Joseph Lykken e Gabe Shaughnessy do Argonne National Laboratory (EUA) analisaram os dados coletados pelo Grande Colisor de Hádrons no CERN.

Eles dizem que as observações podem ser explicadas por duas outras partículas impostoras: “um dubleto genérico de Higgs e um tripleto impostor” podem estar fingindo ser o lendário bóson de Higgs.

Em sua pesquisa de 20 páginas, disponível no Arxiv, Low e seus colegas ainda dizem que, apesar dos dados poderem ser explicados por esses dois impostores, o “bóson de Higgs do Modelo Padrão se encaixa melhor em geral”.

Se eles estiverem certos, no entanto, a jornada de 30 anos e US$9 bilhões para encontrar o santo graal da física pode ainda não ter acabado.

É preciso esperar

Isto não é nenhuma surpresa. Quando os cientistas do CERN disseram que estavam 99,9999% certos de que os dados provavam a existência de um novo bóson, eles foram cautelosos em seu otimismo, dizendo que precisariam investigar mais.

Joe Incandela, chefe do experimento CMS no Grande Colisor de Hádrons, disse que:

Os resultados são preliminares, mas o sinal 5 sigma a cerca de 125 GeV que estamos vendo é dramático. Isto é de fato uma nova partícula. Sabemos que deve ser um bóson e este é o bóson mais pesado já encontrado. As implicações são bem significativas, e é precisamente por este motivo que precisamos ser extremamente diligentes em todos os nossos estudos e verificações cruzadas.

O motivo para este otimismo controlado é a natureza efêmera desta partícula. Já que só é possível criá-la por um período limitado de tempo antes de decaírem – ou seja, se transformarem em outras partículas – é muito difícil identificá-las. Fica ainda mais difícil quando, olhando para os dados coletados até agora pelo CERN, os dados podem ser atribuídos a outras partículas.

Por isso Low e seus colegas concluíram que precisamos esperar e obter mais informações, já que os dados até este ponto não demonstram completamente a existência do bóson de Higgs, ou mesmo desses impostores – mesmo com 99,9999% de certeza.

Em outras palavras: o mistério ainda não foi resolvido. [Arxiv via Technology Review]