Depois que Edward Snowden revelou sua identidade, ele não teve paz. Foi Snowden quem delatou o PRISM, programa americano de espionagem na internet. Por isso, o governo dos EUA o processou formalmente, e quer apreendê-lo para julgamento.

Depois de se refugiar em Hong Kong, o ex-funcionário da CIA voou rumo a Moscou buscando asilo no Equador. No entanto, isso não aconteceu: ele está barrado no aeroporto Sheremetyevo e pediu asilo em 21 países, incluindo o Brasil.



O Itamaraty confirmou ao G1 que recebeu o pedido de Snowden, feito à embaixada brasileira em Moscou. No entanto, diz que “não há intenção de responder” ao pedido. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores reiterou que o governo brasileiro não irá conceder o asilo.

Segundo o Wikileaks, que está ajudando Snowden, o pedido de asilo foi enviado a 21 países. No entanto, sete deles (Áustria, Espanha, Finlândia, Índia, Irlanda, Noruega e Polônia) também negaram o pedido: dizem que, para receber o status de refugiado, é preciso já estar em seu país.

Até a semana passada, parecia certo que Snowden iria permanecer no Equador. No entanto, o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, pediu diretamente ao presidente do Equador, Rafael Correa, que não aceitasse o pedido de asilo. Correa, então, voltou atrás e desistiu de ajudar o informante.

Então fez-se o pedido à Rússia. O presidente, Vladimir Putin, disse que jamais entregaria Snowden aos EUA. Mas! Se ele quiser asilo, precisa “parar o seu trabalho que visa prejudicar nossos parceiros americanos”.

Porém, nos útimos dias, foram revelados mais segredos sobre a NSA (Agência de Segurança Nacional) e seu programa de espionagem. Segundo slides vazados pelo Washington Post, o PRISM permite que a NSA faça vigilância em tempo real de 117.675 alvos, incluindo seus e-mails e mensagens instantâneas.

Além disso, segundo a revista alemã Der Spiegel, os documentos vazados por Snowden mostram que a NSA espionou não só cidadãos europeus, mas também órgãos da União Europeia nos EUA. As autoridades da UE estariam pedindo a suspensão das relações de livre-comércio com os americanos.

Agora, considerando que o Brasil disse não, restam apenas onze países que ainda podem ajudá-lo: Alemanha, Bolívia, China, Cuba, França, Holanda, Itália, Islândia, Nicarágua, Suíça e Venezuela.

O ex-funcionário da CIA agora está preso num aeroporto de Moscou, sem passaporte (revogado pelos EUA) e sem documentos de refugiado, já que nenhum país ainda lhe concedeu asilo.

No início do mês, documentos vazados revelavam o PRISM, programa da NSA para obter informações privadas – como e-mails, fotos e arquivos – de alvos estrangeiros, com possível envolvimento de grandes empresas como Google, Apple e Facebook. Na época, Snowden disse: “não quero que a história seja sobre mim”. Mas, enquanto não cessar a tensão geopolítica que seus pedidos de asilo criaram – e enquanto Snowden não estiver realmente seguro – será difícil atender ao pedido dele. [G1, Front]