Com poucos testes disponíveis, as chances de as infecções pelo novo coronavírus estarem subnotificadas são praticamente certas. Um novo estudo publicado nesta semana indica que o Brasil tem, provavelmente, 12 vezes mais casos do que o relatado oficialmente pelas autoridades. Isso significa que teríamos mais de 280.000 casos, em vez dos 23.430 confirmados pelo Ministério da Saúde.

A pesquisa foi realizada por um consórcio de universidades e institutos brasileiros, o Núcleo de Operações e Inteligência em Saúde (NOIS), que analisou a proporção de casos que resultaram em mortes até o dia 10 de abril e compararam com os dados da taxa de letalidade esperada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Uma outra projeção, apresentada pelo portal COVID-19 Brasil, que reúne cientistas e estudantes da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade de Brasília (UnB), entre outros centros de pesquisa do país, estiva que o número de infectados é 15 vezes maior – chegando a mais de 300.000 casos.

O Brasil teve uma taxa de letalidade maior do que o indicado pela OMS, já que só são testados os casos mais graves – e, em muitos casos, as pessoas morrem ser ter a confirmação de que estavam com COVID-19. O estudo do NOIS estimou que apenas 8% dos casos estão sendo relatados oficialmente.

De acordo com o último relatório do Ministério da Saúde, publicado na tarde desta segunda-feira (13), o País já teve 23.430 casos confirmados e 1.328 óbitos, representando uma taxa de letalidade de 5,7%. O estado de São Paulo, epicentro do surto, tem 8.895 casos e 608 mortes, com letalidade de 6,8%.

A Reuters aponta que mais de 93.000 testes ainda estão sendo processados no País. Somente no estado de São Paulo, na última sexta-feira (11), a fila era de 21.000 exames – o governo de SP criou uma rede de laboratórios que será capaz de processar, em tese, 8.000 amostras por dia.

O Brasil é um dos países que menos testam no mundo, embora seja o 14° mais afetado. Até agora, foram realizados 296 testes por milhão de habitantes (ou 0,296 por cada mil habitantes). Para efeitos de comparação, a Coreia do Sul testa 9,6 pessoas a cada mil habitantes, enquanto os EUA chegaram a 7,12 testes a cada mil habitantes – o país asiático, no entanto, realizou a maioria dos testes no início do contágio e conseguiu achatar a curva.

O número de hospitalizações por sintomas de síndromes respiratórias graves tem sido 3 vezes maior do que o usual para esse período do ano, mas somente 12% desses casos foram confirmados como COVID-19, segundo a agência de notícias.

A subnotificação pode dar uma falsa impressão de controle da doença, segundo os especialistas. Isso é perigoso especialmente porque pode interromper medidas de contenção, como o distanciamento social imposto pelos governos estaduais.