A informação é da Folha, em reportagem ontem. Não estão contabilizados aqui os tablets que foram comprados por pessoas físicas lá fora ou o mercado cinza, apenas os trazidos oficialmente pela Apple para as revendedoras a partir de dezembro. Nem tudo foi vendido, é claro. Mas o que esse número quer dizer? Fracasso? Sucesso?

Na verdade, o número assim, sozinho, quer dizer muito pouco. Podemos comparar com os 20 mil Galaxy Tabs disponibilizados pela Samsung ano passado – mas colocar ambos lado a lado faz pensar que o iPad vendeu só três vezes mais que o tablet da Samsung, o que imagino estar longe da realidade (baseado em observação e conversa com varejistas apenas). E, na verdade, os 63 mil também não dão noção de quantos iPads existem no Brasil, já que quem desejava muito o bicho já havia dado um jeito de comprar no exterior, ou de importadoras cinza aqui – lembre-se que ele demorou 8 meses para chegar oficialmente.

Então, os 63 mil é um número oficial legal para começar, mas não o suficiente. Há estimativas bem dissonantes para o número de tablets da Apple no Brasil, mas dificilmente ele deve ser menor que 100 mil unidades hoje. Há pistas para isso. Segundo o Itaú informou esta semana, o seu app para iPad, por exemplo, já teve 37 mil downloads únicos (contra 160 mil do app para iPhone e 22 mil para Android, por curiosidade), e não é um banco usado por todos – e nem todo cliente do Itaú com iPad tem o app.

Mas, mesmo sendo 60 mil, ou 200 mil (como os mais otimistas projetam), oficialmente, está claro que o mercado brasileiro de tablets é pequeno em comparação com o de computadores (13 milhões) ou com o resto do mundo, já que a Apple vendeu mais de 13 milhões de unidades do iPad em 2010. Na reportagem da Folha, um consultor do IDC projeta a venda de 300 mil tablets no País para 2011 e aposta que o mercado continuará dominado por iPads, mas que ainda não será exatamente grande.

Mas, de novo, será que o brasileiro entendeu o conceito de tablet? Há exatamente um ano, ainda no calor do anúncio (ninguém tinha mexido em um) da tábua de Jobs, previa que o tablet não fazia muito sentido no Brasil, argumentando basicamente que 1) ele não seria tão barato – relativamente – quando nos EUA, 2) não haveria conteúdo em português interessante ou teríamos que fazer gambiarra para comprá-los e que 3) brasileiros não tinham hábito de comprar conteúdo digital – músicas, filmes, livros, revistas, HQs, joguinhos, os principais usos do novo gadget. Como eu tenho um e estou feliz com ele, como vários outros, não repetiria que ele não faz sentido.

Mas, mesmo com números animadores, tenho visto muita gente que comprou no natal, na onda, reclamando que ele é pior que um netbook – o que confirma um pouco a minha tese inicial. Como eu já falei repetidas vezes, ele é um animal bem diferente de um netbook. Mas há um burburinho de publicidade negativa aí de gente que queria um “note pequeno”, comprou um iPad e não consegue reproduzir a experiência de um computador. Será que essa primeira onda de expectativas frustradas pode desacelerar o mercado – ou será que nem é tanta gente assim triste? Será que os concorrentes, como os da HP, Blackberry e Motorola farão ele decolar? E, afinal, esses milhares de unidades vendidas é muito ou pouco? O que vocês acham? [Folha]