A prática da recompra de eletrônicos no Brasil está se tornando mais comum. No momento de adquirir de um novo celular numa loja do varejo ou operadora, o vendedor pergunta se há o interesse de deixar o seu atual smartphone em troca de um desconto. O mercado foi inaugurado por aqui em 2014 pela Brightstar e tem tido boa aceitação, ainda mais em um cenário de crise econômica e de alta do dólar, o que tem encarecido dispositivos móveis.

A Apple finalmente vai começar a vender iPhones recondicionados nos Estados Unidos

A opção é especialmente interessante para os consumidores que não têm o hábito de vender os celulares antigos ou não querem ter a dor de cabeça de anunciar num site de classificados. “A ideia é que o processo seja natural”, disse José Froes Junior, presidente da Brighstar no Brasil, durante visita do Gizmodo Brasil à empresa em Jundiaí (SP). “Por isso, não é preciso se preocupar com caixas, carregadores e acessórios: a loja que dá o desconto fica somente com o aparelho.”

Para definir o tamanho do desconto, um funcionário do varejo faz uma rápida avaliação do produto, que só precisa estar funcionando. Quanto mais conservado, mais valorizado fica. Segundo a companhia, os valores podem chegar a R$ 1.800. Os iPhones são os modelos mais trocados e geralmente os que geram descontos maiores, já que têm uma desvalorização mais lenta do que os celulares Android.

brightstar-op

Estação de carregamento de smartphones na Brightstar. Imagem: Alessandro Junior

iPlace, Magazine Luiza, FNAC, Vivo e TIM são algumas das lojas que oferecem essa opção para o cliente.

São levados em consideração critérios como arranhões na tela, na carcaça e aparência geral. Durante a visita que o Gizmodo Brasil fez no centro de operações da Brightstar, percebi que diversos modelos estavam com a tela quebrada. Esse não é um impeditivo para receber um desconto, mas o produto valerá menos.

O que acontece com os aparelhos?

Os aparelhos recolhidos pelo varejo vão para a Brightstar e lá recebem uma espécie de tratamento. A avaliação da aparência é feita novamente, é dada uma nota para o estado. A partir daqui, são realizados testes técnicos que certificam que o celular está funcionando perfeitamente. Caso seja detectado algum problema, eles fazem o reparo. Pode ser o vidro da tela quebrada, Wi-Fi defeituoso, bateria com muitos ciclos de carga, entre outros.

brightstar-conserto

Aparelhos com tela quebrada são consertados na Brightstar e posteriormente vendidos. Imagem: Alessandro Junior

Todos os modelos são revendidos para sites que comercializam seminovos e para empresas interessadas na compra de smartphones usados. O principal revendedor é o e-commerce SouBarato, do grupo B2W – o mesmo das lojas Submarino, Americanas e Shoptime. No entanto, é possível achar em outros sites como Saldão da Informática, Carioca Celulares e Multi Loja.

Procurar por esses smartphones é interessante para quem está interessado em um bom aparelho por um preço mais em conta e quer ter alguma garantia – os dispositivos vêm com 3 meses de garantia. Um iPhone 6 de 64GB pode sair por R$ 2.399,00, por exemplo. Os preços de um mesmo modelo podem variar de acordo com o estado de conservação.

Enquanto a americana Brightstar lida principalmente com varejistas e operadoras, há no Brasil outras companhias que fazem operação semelhante, mas em escala menor e que tratam diretamente com o consumidor na negociação do celular usado. São exemplos deste tipo de atividade: Brused, Uzlet, Ziggo e Redial.

Empreendimento

Segundo Froes, o mercado está em franca expansão no Brasil. Para 2016 a expectativa é fechar o ano com cerca de 40 mil coletas por mês. E em 2017, a estimativa é dobrar o número para 80 mil coletas/mês. É uma oportunidade para o consumidor que quer um desconto na hora de adquirir um celular novo, para aquele que procura algo mais em conta e também para pequenos e grandes varejistas.

Imagem do topo: hurk/Pixabay.