O buraco na camada de ozônio da atmosfera acaba de atingir seu tamanho máximo anual, disseram especialistas do Copernicus Atmosphere Monitoring Service da União Europeia na terça-feira (6). A extensão do buraco sobre a Antártica atingiu 23 milhões de quilômetros quadrados este ano, uma das maiores da história recente. Para dar um contexto, isso é mais do que o dobro do tamanho de todo o território dos Estados Unidos.

O ozônio é a parte da atmosfera do planeta que absorve a maior parte da perigosa radiação ultravioleta vinda do Sol. No entanto, o uso de substâncias destruidoras da camada de ozônio para refrigeração e ar condicionado fazia com que um buraco nessa camada se abrisse anualmente a cada ano. O crescimento alarmante do buraco levou os líderes mundiais a banir esses produtos químicos destruidores na década de 1980, mas o problema ainda levará décadas para ser totalmente revertido.

O buraco na camada de ozônio se forma quando a luz do Sol chega à região da Antártica e reage com os compostos destruidores que a sociedade emitiu ao longo de décadas e que agora estão na estratosfera gelada. Quando as condições da atmosfera são particularmente frias, essa reação química prospera. E este ano, ficou muito, muito frio devido a um vórtice polar particularmente forte sobre a Antártica.

É normal que o tamanho do buraco varie com eventos climáticos, mas ele geralmente atinge seu maior tamanho em outubro. Apesar de isso acontecer todos os anos, não significa que está tudo bem. A extensão máxima de 2020 foi maior e mais profunda do que a média.

Vincent-Henri Peuch, diretor do Copernicus Atmosphere Monitoring Service do ECMWF (Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo), disse em um comunicado que o buraco lembrava um relativamente grande e profundo visto em 2018.

Mas, estranhamente, no ano passado, o buraco estava bem diferente. Sua extensão foi a menor já registrada e ele se fechou com relativa rapidez.

“Há muita variabilidade em até que ponto os eventos do buraco da camada de ozônio se desenvolvem a cada ano”, disse Peuch.

Apesar das más notícias sobre o buraco na camada de ozônio deste ano, o quadro geral é um pouco mais otimista.

Pesquisas das Nações Unidas mostram que ele está diminuindo lentamente. Para recuperar totalmente essa camada e proteger a vida na Terra dos níveis perigosos de radiação ultravioleta, temos que parar urgentemente de colocar na atmosfera produtos químicos que mexem com o ozônio.

Uma forma importante de fazer isso é garantir que todos estejam aderindo ao acordo da ONU conhecido como Protocolo de Montreal, pelo qual as nações se comprometeram a abandonar rapidamente o uso desses produtos químicos. O tratado é um dos acordos ambientais de maior sucesso da história, mas o buraco na camada de ozônio deste ano é um lembrete de que ainda há trabalho a ser feito.