Todo mês, várias pessoas vão para a Praça dos Três Poderes, em Brasília, para ver a troca da bandeira. Mas desta vez, elas tiveram uma surpresa: dois caças supersônicos Mirage F-2000 da Força Aérea Brasileira sobrevoaram tão baixo que quebraram todas as vidraças do Supremo Tribunal Federal e assustaram o público.

Os caças faziam parte da cerimônia para a troca de bandeira, onde também se apresenta a Esquadrilha da Fumaça. Mas o rasante dos caças criou uma “onda de choque” tão forte que estilhaçou quase toda a fachada do STF – o prédio está quase todo sem vidro por fora. Segundo a FAB, também há relatos de estragos no Senado e na Câmara dos Deputados. Ninguém ficou ferido.

A onda de choque fez o chão tremer e causou um deslocamento repentino de ar que quebrou os vidros, levantou poeira e até abriu a copa das árvores. Em nota, o Comando da Aeronáutica não soube explicar porque os caças fizeram o voo rasante, mas já estão investigando e vão ressarcir os danos. O STF, por sua vez, disse que a estrutura de vidro – em vez de blindex – era mesmo instável, e já planeja a reforma durante as próximas três semanas. Em julho, como o Judiciário fica em recesso, não haverá expediente.

Mirage F-200

Os caças Mirage F-2000, fabricados pela francesa Dassault, podem atingir 2,2 vezes a velocidade do som, ou 2.500km/h. O Brasil comprou doze caças deste modelo, entregues entre 2005 e 2008, para substituir os antigos Mirage IIIE.

Lançado na década de 80, o Mirage 2000 está em processo de substituição por um modelo mais novo, o Dessault Rafale, desde 2006. O ministério da Defesa planeja desde 2007, com o projeto FX-2, comprar caças mais modernos, e quase escolheu o Rafale. O projeto foi substituído pelo FX-3, anunciado em 2011 a fim de ampliar a concorrência, e ainda segue em andamento. [TerraG1 e R7]

Mirage F-2000

Foto por Força Aérea Brasileira/Flickr