O melhor amigo do homem poderia dar uma mão — ou melhor, um nariz — para ajudar na luta contra o coronavírus? A resposta pode ser sim.

Existem vários esforços em andamento para treinar cachorros farejadores para detectar COVID-19, a doença causada pelo coronavírus. Se os cachorros provarem ser confiáveis na detecção do vírus, os cientistas acreditam que eles poderiam fornecer um rastreamento de baixo custo, rápido e preciso. Eles seriam, sem dúvida, uma ajuda importante para seus amigos humanos, especialmente considerando os problemas de testagem que ocorreram em várias partes do mundo.

Enquanto explicamos como deve funcionar o reconhecimento de COVID-19 pelo cheiro, permita-nos lhe apresentar o Floki, um springer spaniel australiano. Floki está atualmente participando de um treinamento para detecção de COVID-19 feito por pesquisadores da Universidade de Adelaide.

Olha esse sorriso! Foto: Kelly Barnes/Getty Images

Como exatamente, você pode estar se perguntando, os cachorros vão detectar se alguém tem o coronavírus? Bem, eles não estão necessariamente “cheirando” o vírus em si. Pesquisas anteriores indicaram que os cachorros podem cheirar “componentes olfativos voláteis específicos”, ou certos cheiros emitidos pelo corpo, exalados por pessoas com infecções virais, de acordo com a Universidade de Adelaide.

Nosso odor corporal frequentemente muda quando estamos doentes. Algumas pessoas com diabetes têm um cheiro descrito como parecido levemente com o de maçãs podres, o que é causado por baixas concentrações de acetona em seu hálito, de acordo com a CNN. Enquanto isso, as pessoas com febre amarela cheiram à açougue. Esses cheiros podem ser sutis e nem sempre são aparentes para outras pessoas, mas os cachorros estão bem equipados para detectá-los.

Os cachorros têm 50 vezes mais receptores olfativos do que os humanos e uma capacidade comprovada de detectar drogas, explosivas e doenças. Esta última parte é especialmente importante. O Washington Post relata que os cachorros foram capazes de detectar câncer. alterações no açúcar no sangue e infecções parasitárias como a malária.

Vamos voltar ao Floki. Ele faz parte de um consórcio internacional liderado pela Escola Nacional de Veterinária em Alfort, França, que visa treinar cachorros especializados em COVID-19. Anne-Lise Chaber e Susan Hazel, da Universidade de Adelaide, dizem que os cães são treinados com amostras de suor das pessoas infectadas com COVID-19.

Segundo Chaber e Hazel, quando apresentados a uma série de amostras de suor de pessoas infectadas com COVID-19, a maioria dos cachorros consegue distinguir amostras positivas de negativas com 100% de precisão. Durante o treinamento, o nariz do cachorro entra em um cone de aço inoxidável, que mantém a amostra de suor em um recipiente atrás dele. Não há contato físico entre o nariz do cachorro e a amostra.

Emily Rowe, Catherine Ferguson, Alex Witners com o Floki, Anne-Lise Chaber e Susan Hazel na Universidade de Adelaide em foto de 18 de setembro. Crédito: Kelly Barnes/Getty ImagesEmily Rowe, Catherine Ferguson, Alex Witners com o Floki, Anne-Lise Chaber e Susan Hazel na Universidade de Adelaide em foto de 18 de setembro. Crédito: Kelly Barnes/Getty Images

Embora saibamos que os cachorros estão detectando compostos orgânicos voláteis específicos para a infecção por COVID-19, não está totalmente claro o que eles cheiram, ou o que torna uma amostra positiva de COVID-19 diferente de uma negativa. As autoras dizem que, considerando que os compostos orgânicos voláteis liberados em amostras de suor são uma mistura complexa, é provável que os cachorros estejam farejando um perfil particular em vez de compostos individuais.

As pesquisadores da Universidade de Adelaide dizem que terão que coletar milhares de amostras negativas e testá-las para ter certeza de que os cachorros não estão detectando alterações de outra doença, como resfriado comum ou gripe. Mas, de acordo com Chaber e Hazel, os cachorros de outros países passaram no teste com louvor. Na Finlândia, cachorros farejadores identificaram até mesmo pessoas pré-sintomáticas que mais tarde testaram positivo para COVID-19.

Chaber e Hazel dizem que, uma vez em funcionamento, os cachorros detectores de COVID-19 na Austrália poderiam ser usados para rastrear pessoas em aeroportos e fronteiras, bem como equipes em hospitais e instituições de cuidados a idosos. Entretanto, treinar adequadamente um cachorro para detectar o coronavírus leva tempo. Os pesquisadores dizem que pode levar de seis a oito semanas para ensinar um cão que já foi treinado para detectar outros cheiros, ou de três a seis semanas para um cão que não recebeu treinamento em detecção.

O cachorro Floki em treinamento para detectar COVID-19. Crédito: Kelly Barnes/Getty ImagesO cachorro Floki em treinamento para detectar COVID-19. Crédito: Kelly Barnes/Getty Images

Embora usar cachorros para detectar COVID-19 ainda não seja uma estratégia aplicável neste momento, as autoras dizem que não devemos nos surpreender se eles forem capazes de fazer isso após os treinamentos, pois já sabemos que eles têm narizes impressionantes.

“Seu grande potencial para lidar com a pandemia atual é apenas um dos exemplos de como os cachorros enriquecem nossas vidas”, disseram elas.