As baratas que atormentam nossas casas são ainda mais indestrutíveis do que pensávamos, de acordo com um estudo recente de pesquisadores da Universidade de Purdue, em Indiana. Os cientistas usaram uma variedade de estratégias e diferentes inseticidas para erradicar as infestações da barata alemã (Blattella germanica), mas descobriram que elas conseguiam sobreviver a quase todos os seus esforços.

O pior é que a pesquisa deles sugere que essas baratas podem rapidamente desenvolver resistência a mais de um inseticida ao mesmo tempo – um feito do qual não sabíamos que elas eram capazes.

Baratas alemãs (ou simplesmente baratinhas) são um dos muitos insetos que aprenderam a se defender das armas químicas que usamos contra eles. Isso tem forçado exterminadores e entomologistas a lutar para encontrar novas estratégias capazes de controlar as infestações domésticas. Estes esforços incluíram a rotação periódica das classes de inseticidas para um tratamento de pragas, combinando múltiplos inseticidas e confiando mais em gel que funcionam como iscas do que em sprays.

A equipe por trás deste estudo, publicado em junho na Scientific Reports, decidiu comparar três dessas estratégias no mundo real. Em três complexos de apartamentos infestados de baratas em Illinois e Indiana, eles usaram uma rotação de três inseticidas de nível profissional, alternando a cada mês durante seis meses; aplicaram dois inseticidas em spray ao mesmo tempo mensalmente; ou aplicaram o gel que funciona como isca mensalmente com um inseticida a que as baratas eram anteriormente suscetíveis. As baratas nessas casas já haviam demonstrado pelo menos alguma resistência a quase todas as classes de inseticidas.

O único método que reduziu significativamente a população de baratas, eles descobriram, foi o gel. As baratas basicamente debocharam da combinação de inseticidas e até começaram a se espalhar para novas casas, enquanto seus números não foram afetados pelo método de rotação. E o truque do gel só funcionava porque as baratas eram especialmente vulneráveis ​​a isso; em áreas onde apenas 10% da população era resistente ao produto químico específico usado, a população novamente floresceu.

A resistência das baratas não é novidade, mas os pesquisadores ficaram surpresos com sua capacidade de promover tanta “resistência cruzada” como aconteceu. A resistência cruzada é quando as baratas sobreviventes expostas a um inseticida são capazes de resistir melhor a um inseticida diferente. Mas embora os cientistas tenham documentado a resistência cruzada em baratas alemãs em laboratório, essas baratas foram capazes de resistir a uma variedade de inseticidas em diferentes classes em um nível jamais documentado antes, de acordo com a publicação. E isso é realmente uma má notícia para o futuro da erradicação das baratas.

“Este é um desafio jamais realizado anteriormente em baratas”, disse o autor principal do estudo, Michael Scharf, em um comunicado da Universidade de Purdue. “Baratas que desenvolvem resistência a múltiplas classes de inseticidas de uma só vez tornarão o controle dessas pragas quase impossível apenas com produtos químicos.”

Nem toda a esperança está perdida, no entanto. Scharf e sua equipe foram capazes de combater com sucesso as infestações restantes após o término do estudo com um método de rotação usando o gel como isca. E se as pessoas conseguirem, pela primeira vez, descobrir a quais químicos exatos as baratas de uma determinada infestação são resistentes, então é possível encontrar a mistura certa de inseticidas para controlá-la. Métodos não químicos, como manter a segurança alimentar, reparar fendas onde as baratas entram e eliminar grandes infestações, também podem aumentar as chances de sucesso.

“Alguns desses métodos são mais caros do que usar apenas inseticidas, mas se esses inseticidas não controlam ou eliminam uma população, você está apenas jogando dinheiro fora”, disse Scharf. “Combinar vários métodos será a maneira mais eficaz de eliminar baratas”.

Infelizmente, poder pagar por esses tratamentos é um grande obstáculo para as pessoas economicamente desfavorecidas e que são mais afetadas por pragas domésticas, como baratas e percevejos. É provável que os humanos sejam ainda atormentados por esses insetos pelos próximos séculos.