A primeira tentativa da Fujifilm no mercado de captura de imagens 3D, a W1, foi prejudicada por controles complicados e aquele desconforto característico de um hardware de primeira geração. Com a sua sucessora, a W3, a Fujifilm diminuiu, mas não eliminou, a dor de cabeça de fazer e visualizar o seu conteúdo 3D.

Ao introduzir a câmera no Museu Americano de História Natural ontem à noite, a Fujifilm disse que o advento das TVs 3D efetivamente colocou o 3D "em cada lar", o que está longe da verdade. O uso caseiro do 3D, especialmente da criação em 3D, ainda é uma tecnologia em desenvolvimento, e se você quer que as pessoas comprem uma câmera de bolso que captura em 3D, você precisa colocar nessa câmera uma tela decente na qual dê para assistir coisas em 3D.

A W3 (Fujifilm FinePix Real 3D W3) faz exatamente isso, esticando a sua tela 16:9 LCD parallax barrier até 3.5 polegadas. É boa e grande, e o efeito 3D, especialmente quando você está revendo fotografias 3D que já tirou, é convincente e prazeroso. Tudo isso sem óculos! O vídeo é ok também, alternando momentos de um efeito 3D genuinamente legal e uma espécie de tridimensionalidade holográfica, espectral. Mas de modo geral o LCD é muito pequeno para ver o que se passa em vídeos. Esta experiência na própria câmera é robusta o suficiente, mas a Fujifilm também adicionou suporte a HDMI 1.4 para ver o seu conteúdo em uma TV 3D maior. E é aqui que você lembra que não é nenhum James Cameron.

Uma disparidade técnica sempre vai existir entre fotógrafos/cinegrafistas que têm "olho" (um senso de composição, iluminação, arranjo etc) e os que não têm, mas essa coisa de olho nunca foi tão importante quanto agora, que as imagens são em 3D. Os executivos da Fujifilm ficavam nos lembrando o tempo todo, como se fôssemos pré-escolares que aprendem melhor por repetição: "profundidade, profundidade, profundidade". Essa é a chave para fazer bom 3D. Eu ouvi um empregado da Fujifilm dar uma bronca de brincadeira em um senhor por não dar os cerca de dois metros de distância recomendados entre a câmera e o plano principal da foto.

Por isso, ao menos no início, as coisas em 3D que você faz são uma mistureba. Uma foto do Central Park que eu tirei pela janela ficou ok, com os prédios todos em um plano de fundo e as árvores mais à frente, mas uma fotografia de uma multidão de pessoas não deu muito certo – os vários pontos de profundidade diferentes deram um aspecto meio borrado para a qualidade da foto. Mas uma fotografia bem de frente para um esqueleto de um mastodonte, ou outra fera prehistórica, foi tipo Uma Noite no Museu em 3D. As presas escapavam da tela LCD de maneira suave e contínua, e o efeito na TV 3D da Sony onde eu conectei a câmera foi ainda mais impressionante. "Essa ficou boa", disse uma mulher que estava ali perto. Minha primeira foto 3D bem sucedida! Me senti bem.

Mas os vídeos 3D 720p ficaram meio lavados, especialmente na TV. Ao menos no cenário do museu eu não consegui achar nenhum sujeito em movimento que fizesse as coisas pularem no vídeo, e os meus vídeos ficaram confusos e cheios de gente. É digno de nota também que, ao filmar os vídeos (e, em menor escala, também ao fotografar), a tela LCD não te mostra exatamente o produto final, mas sim uma mistura não processada das duas imagens das duas lentes, de modo que você nunca sabe a diferença entre aquilo que vê na tela agora e o que vai parar no seu cartão de memória daqui a pouco. Para os vídeos isso é especialmente ruim. Tentar monitorar o que eu estava filmando na tela da W3 antes de ser propriamente renderizado em 3D foi algo que variou do chato ao nauseante.

E por trás dos interessantes recursos 3D o que você encontra é uma câmera point-and-shoot 2D meio mais ou menos. Por dentro, da W3 é exatamente igual à W1 – mesmo sensor CCD de 10P, mesmo processador RealPhoto, mesmo conjunto de duas lentes com zoom óptico de 3x –, mas por fora ela ficou consideravelmente mais fina e simples, mais arredondada. Além de ter adotado controles bem mais fáceis de usar do que os da W1 – similares às câmeras não-3D da Fujifilm – mas ainda um pouco confusos às vezes, especialmente para alguns dos recursos únicos da W3, como a possibilidade de usar o "2D avançado" para configurar cada lente com um valor de ISO ou foco diferente e dispará-las ao mesmo tempo.

A W3 chega em Setembro por US$ 500, o que é 100 dólares menos que o preço que a W1 tinha quando estreou no ano passado. E apesar do seu 3D não ser perfeito nem de longe, pode vir a ser bem efetivo nas situações certas, e o jeito como a Fujifilm construiu a W3 pode fazer com que ela seja bastante atrativa para um público que fica cada vez mais à vontade com a (às vezes desconfortável) terceira dimensão. [Fujifilm]