Há dois anos, uma pequena startup chamada Lytro chocou o mundo da fotografia, apresentando a primeira câmera do mundo que captura todos os possíveis focos de uma cena, permitindo a você escolher um deles. Ela abriu caminho para efeitos de foco encontrados, por exemplo, em smartphones da Nokia e Samsung.

A Lytro não substitui câmeras comuns; mas talvez isto fique a cargo da nova Lytro Illum, um modelo de nível profissional. Você nunca mais vai olhar para imagens estáticas da mesma forma.

A Lytro Illum usa a tecnologia de “campo de luz”: são todos os raios de luz que passam por um dado espaço – no caso, sua visão. Capturando esse campo de luz, a Lytro obtém todos os possíveis focos da imagem.

Por isso, faz mais sentido medir suas imagens em “megarraios” (milhões de raios de luz), em vez de megapixels. Ela possui um sensor de 40 megarraios, além de zoom óptico 8x e obturador de alta velocidade. A lente, por sua vez, contém 13 diferentes peças de vidro.

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A qualidade da imagem é impressionante, para dizer o mínimo. E a lente permite que você chegue incrivelmente perto do objeto que vai fotografar: ao experimentar a Illum, eu acabei encostando a lente no objeto, e a imagem ainda saiu cristalina.

Assim como a Lytro original, esta câmera permite ajustar o foco depois de tirar a foto. A lente possui um anel de foco e um anel de zoom, mas o sensor recolhe informações visuais o suficiente para que você possa fazer ajustes quando quiser.

E você pode fazer tudo na câmera, usando a touchscreen. Quer se concentrar no motorista, em vez do carro? Basta tocar no rosto. Experimente abaixo. E clique nas setas para ver as diferentes imagens de demonstração:

As fotos se tornam ainda mais dinâmicas quando vistas através do app Lytro em um tablet. Você pode aproveitar o efeito de paralaxe, que faz a imagem se mover com você. E não se trata de uma função adicional que você precisa ativar: isso funciona para toda imagem; e se você tiver uma tela com suporte a 3D, pode ver as fotos em 3D.

O software da câmera é todo baseado em Android, e é tão importante para a experiência quanto o sensor e lente. O fundador da Lytro, Ren Ng, diz que a câmera vem com um “poder de computação encontrado em tablets”, um aumento de 2.000 vezes em relação ao primeiro modelo. “Você não pode fazer essas fotos sem um computador”, diz Ng ao Gizmodo. E “fazer” a foto é na verdade um termo melhor do que “tirar” fotos. Afinal, com a câmera Lytro, disparar o obturador é só o começo.

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A versatilidade da Lytro Illum torna-se especialmente interessante quando você sente a câmera com as mãos. Você vai se sentir como um fotógrafo super-herói, e também como um viajante do tempo. Esta não é a experiência de fotografia à qual você está acostumado: é algo maior e melhor.

Mas, claro, não é algo necessariamente barato. A Lytro Illum começará a ser vendida em julho por US$ 1.600. O preço é um pouco justificado pelos novos poderes da Illum, mas eles não acrescentam nada terrivelmente novo à Lytro original – que até agora não conseguiu mudar o mundo da fotografia. Talvez a Illum pode fazer esse truque decolar… a ver.