Na Campus Party 2013, Marcos Calil falou um pouco sobre seus aplicativos favoritos para ajudar na observação do céu. Professor da UNINOVE e Coordenador Científico do Planetário Johannes Kepler (Santo André – SP), fez questão de ressaltar que sem conhecimento estes Apps de nada servem:

“Por mais que você consiga identificar as coordenadas principais (com os apps), o uso de aplicativos acaba dando uma emburrecida no cérebro (sic) porque muitos conceitos ficam de lado. É interessante ter conteúdo e estudar, pesquisar. No começo eu observava tudo na raça, com poucas ferramentas.”

O professor, que presta consultoria de astronomia para o ClimaTempo, passou uma lista com os melhores aplicativos para observar o céu:

  • SkEye: Semelhante ao Google Sky Map, ajuda na identificação de estrelas e outros objetos com um mapa astronômico. Também pode ser utilizado como guia para telescópio.
  • Meteor Shower Calendar: Interface clara que mostra quando ocorrerão as próximas chuvas de meteoros. Segundo Calil, “Todo mês acontecem 5 ou 6 chuvas de meteoros, algumas são mais intensas, como a Leonid”.
  • SatTrack: Passa coordenadas sobre satélites artificiais, mostrando com precisão os horários em que eles aparecerão, brilho máximo e desaparecerão no céu de uma determinada região. Segundo Marcos, é possível observar estes satélites a olho nu.
  • AstroClock LWP: Mostra posições de planetas em tempo real.

Enquanto isso, Gustavo de Araujo Rojas, Representante do European Southern Observatory Science Outreach Network no Brasil e responsável por parte das atividades de divulgação científica do Laboratório Aberto de Interatividade da UFSCar, diz que há um problema em astronomia: a educação básica no assunto não é apropriada. Um clássico exemplo desta deficiência é a explicação sobre as estações do ano, onde muitos professores ensinam que o verão acontece pois a Terra está mais próxima do Sol.

Ainda pensando em divulgação científica, o professor citou dois sites onde o público em geral pode colaborar com pesquisas. Ambos funcionam como redes sociais, pois há cadastro e uma comunidade de entusiastas por ciências acaba por se formar:

“Dentro do Zooniverse há vários programas, como o Galaxy Zoo, que reúne diversos tipos de imagens de galáxias que os usuários podem classificar. Também é possível estudar o terreno da Lua, as explosões do Sol e até mesmo encontrar exoplanetas”

Rojas ressalta a necessidade de alunos de todas as idéias para colaborar com a classificação de imagens para pesquisas:

 

“(Para classificar imagens) Basta você ter boa vontade e gostar do que está fazendo. A quantidade de dados é muito grande e não há profissionais suficientes para classificá-las”

Para finalizar as apresentações, Dulcídio Braz, Físico do IFGW/Unicamp e apaixonado pela educação, disse que o uso de Apps pode ser muito útil em sala de aula. O professor disse que seus aplicativos favoritos demonstram as Leis de Kepler e o Modelo de Bohr.

Responsável pelo Blog Física na Veia desde 2004, Dulcídio recomenda o aplicativo Exoplanet, onde é possível reconhecer exoplanetas de acordo com padrões estelares.

Durante a mesa redonda, os professores deixaram bem claro a necessidade de estudos prévios, melhorias no ensino e o uso de aplicativos somente como uma ajuda na observação e educação. Por outro lado, os professores enfatizaram a importância do uso das redes sociais e até recomendaram alguns perfis no Twitter que são legais de seguir: @Prof_Silvestre, @MarcosCalil e Sabina.Planetario no Facebook. Também é possível acompanhar o blog Paideia e ouvir os podcasts gravados por ele. Ou acompanhar o site de Marcos Calil, Momento Astronômico.

Foto de Capa por Ana Mões.