A demência pode parecer inevitável à medida que nossos parentes envelhecem e começam a sofrer com a dolorosa perda de memória. Quase 50 milhões de pessoas viveram com ela em 2015, e a doença pode custar ao mundo um trilhão de dólares até 2018. Mas há esperança.

• O Japão está usando adesivos de QR code para identificar idosos
• Tratamento controverso parece ter revertido dano cerebral em uma criança

Um novo relatório de uma equipe de médicos comissionados descobriu que mudanças de estilo de vida poderiam prevenir ou adiar um terço dos casos de demência. Analisando as evidências disponíveis, a Comissão de Prevenção, Intervenção e Cuidados à Demência do The Lance elaborou um relatório sobre estatísticas e recomendações para todos, não apenas pacientes idosos.

“Agora baseado no que já sabemos pode fazer essa diferença acontecer”, eles escrevem no periódico The Lancet. O relatório e os comentários estão disponíveis gratuitamente aqui.

A comissão analisou especificamente fatores na vida jovem, média e tardia que poderiam mudar o risco de demência e a porcentagem de casos possíveis de serem eliminados. O maior fator de vida jovem parecia ser educação, onde uma educação melhor na infância poderia oferecer uma redução de 8%. Mais tarde na vida, fatores de risco evitáveis incluem o habitual, como evitar fumar, cuidar da depressão, praticar atividade física, evitar isolamento social e diabetes. Na meia idade, esses fatores incluem hipertensão, obesidade e, surpreendentemente, perda auditiva.

“O reconhecimento da perda auditiva como fator de risco para demência é relativamente novo”, escreveram os autores no relatório. “Também não tem sido uma prioridade na gestão que quem está em risco de comprometimento cognitivo”. Mas 11 estudos mostraram perda de audição como um risco de longo prazo (dois não apresentaram risco aumentado). Combinando esses estudos, a perda de audição poderia aumentar o risco de queda cognitiva em 94%.

Os autores observam que 65% dos casos não são evitáveis, pois algumas causas são simplesmente genéticas. Além disso, muitos dos seus resultados provêm de países de maior renda, o que poderia ser uma fonte de visão enviesada, especialmente porque as populações de baixa renda tem mais risco de sofrer de demência.

“A epidemia de demência será concentrada em [países de baixa e média renda] onde a consciência é baixa e recursos para atender a demanda são poucos”, escreveu Martin Prince do Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neurociências do King’s College London (que não está envolvido na comissão) em outro comentário para The Lancet. “A equidade exige que todos os afetados sejam reconhecidos como tendo igual status e valor, e tenham acesso igual para o diagnóstico, tratamento, cuidados e suporte baseados em evidências”.

Centenas de estudos citados no novo relatório produzem uma imagem esperançosa: as mudanças de estilo de vida saudáveis que são repetidas diariamente, como não fumar, exercitar mais e administrar nossa saúde mental podem ajudar a prevenir ou adiar o início da demência.

O segredo, então, é tornar a consciência à doença e o tratamento prioritários.

“Conforme descrito na Comissão Lancet, a demência é provavelmente uma doença clinicamente silenciosa que começa na meia-idade (cerca de 40-65 anos) e o estágio terminal se manifesta como sintomas de demência”, escreve Helen Frankish, editora executiva da The Lancet. “Esta hipótese sugere uma janela de oportunidades de intervenção abordando fatores de risco de demência na meia-idade.

som8p1j7tb1drdurhsqa

[The Lancet]

Imagem do topo: AP Photo/David Duprey