Às vezes, um novo aparelho simplesmente é belo. Ele atinge todas as notas estéticas, coloca em jogo uma nova tecnologia e se parece com algo que você gostaria de ter. Mas se ele será algo de que você precisará – ou pelo qual estará disposto a tirar dinheiro do bolso para ter – já são outros quinhentos.

• Esta tela dobrável da Xiaomi parece funcionar muito bem
• Este protótipo de tela flexível é um vislumbre de como será seu celular no futuro

Aqui está algo que parece se encaixar nesta categoria, por enquanto. Segundo a Bloomberg, na última terça-feira o presidente de negócios mobile da Samsung Electronics, Koh Dong-jin, disse que a empresa está planejando lançar um telefone com tela flexível no ano que vem – embora o processo de desenvolvimento para um produto pronto para consumidores ainda possa ser impedido por diversos desafios técnicos que a Samsung ainda precisa resolver.

GIF: Samsung

“Como chefe do negócio, posso dizer que o nosso atual objetivo é para o ano que vem”, disse Koh. “Quando conseguirmos superar alguns problemas, com certeza iremos lançar o produto.”

A Samsung demonstrou um protótipo de display OLED flexível pela primeira vez em 2013, que era chamado de “Youm”. Ou seja, eles já tiveram alguns anos para trabalhar em certos problemas. Especulações e rumores sobre o iminente lançamento de um smartphone flexível da marca circulam há anos.

Vídeos de supostos protótipos circularam na internet neste ano. É meio difícil dizer o que é possível fazer com eles, no entanto; os projetos iam de um dispositivo grandalhão com o mesmo formato de um produto cosmético até telas retráteis e modelos dobráveis prontos para serem expandidos e se transformar em um tablet.

Todos eles tinham um formato meio desajeitado; julgando pela reportagem da Bloomberg, a versão dobrável do celular é a ideia posta em prática neste momento.

Historicamente, a ideia do celular flip é considerada bem arcaica, principalmente desde que os smartphones fizeram a transição para o touchscreen. Os lançamento recentes desse gênero (com algumas exceções, como o Leader 8 da Samsung) são vistos como produtos nostálgicos. Uma tela touch flexível talvez dê mais vida a esse conceito, ou pode acabar apenas como um truque sem utilidade. Às vezes, simplicidade é melhor, principalmente quando não existe um cenário de uso real em que um conceito complicado não melhora a experiência do usuário.

Desdobrar um celular em um dispositivo do tamanho de um tablet soa legal na teoria, mas pode acabar sendo um truque bobo, tendo em conta a utilidade real. O mercado dos tablets já quebrou quando os telefones atuais os alcançaram no poder de processamento e diminuíram a lacuna do tamanho da tela, então convencer as pessoas sobre o conceito de phablet novamente pode ser difícil.

A maioria dos smartphones atuais não são exatamente resistentes aos inimigos antigos da humanidade: água e pedras pontudas. Existem alguns dados que sugerem que os telefones flip de antigamente duravam mais, mas isso é porque eram pequenos e estavam em carcaças de plástico, não de vidro.

O fato de um display flexível ser mais ou menos suscetível aos elementos e à gravidade do que os atuais celulares poderá ter um papel importante na decisão de muitos consumidores.

Alguns dos protótipos mostrados pela Samsung anteriormente pareciam conseguir resistir a uma queda de uma mesa sem sofrer grandes danos. Um desses modelos tinha tela na parte frontal e no interior. Além disso, tirar totalmente as bordas laterais de um dispositivo cria um risco de que o mínimo dano possa se tornar uma grande fissura na tela do aparelho, transformando aquilo que seria um pequeno dano em uma perda total do celular.

Para ser justo com a Samsung, o conceito por trás de tudo isso é muito legal. Dito que se trata de um conceito, é preciso provar que é mais do que um truque, o que pode levar a algumas gerações de desenvolvimento. Os rumores dizendo que a Samsung lançaria algo assim começaram a surgir há anos, então provavelmente é melhor esperar para ver antes de declarar que essa é a próxima revolução entre os dispositivos móveis.

[Bloomberg]