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Quem tentou censurar notícias exigindo que Google esconda links se deu mal

No Brasil, o Marco Civil da Internet só permite que você solicite remoção de conteúdo por ordem judicial (exceto em casos envolvendo nudez e sexo). Na União Europeia, é diferente: o Tribunal de Justiça decidiu em maio que as pessoas têm o “direito a ser esquecido”, e por isso o Google deve remover links de […]

No Brasil, o Marco Civil da Internet só permite que você solicite remoção de conteúdo por ordem judicial (exceto em casos envolvendo nudez e sexo). Na União Europeia, é diferente: o Tribunal de Justiça decidiu em maio que as pessoas têm o “direito a ser esquecido”, e por isso o Google deve remover links de seus sites europeus de busca – é preencher um formulário e esperar. Mas você não pode se esconder do passado na internet.

Há um mês, o número de pedidos de remoção já ultrapassava 41.000. O Google contratou uma equipe só para analisá-los e, na semana passada, ativou a remoção dos links, avisando os requerentes por e-mail. Nas buscas afetadas, o Google avisa lá embaixo: “Alguns resultados podem ter sido removidos sob a lei de proteção de dados na Europa”, apontando para este link.

Mas isso não é tudo. O link não desaparece silenciosamente: a gigante das buscas foi esperta em avisar aos sites que alguns de seus links foram removidos do Google.

Se você disser a uma empresa de jornalismo que uma notícia “sumiu” do Google para os 368 milhões de europeus, como você acha que eles vão reagir? Trazendo à tona as pessoas que pediram a remoção, é claro. Do Guardian:

Três dos artigos, que datam de 2010, referem-se ao árbitro Dougie McDonald da Scottish Premier League, agora aposentado, que teria mentido ao se explicar porque anulou uma marcação de pênalti em uma partida entre Celtic e Dundee United. A repercussão o fez deixar o cargo.

O Daily Mail também teve um link sobre McDonald removido. Mas quem será que pediu para essas notícias sumirem do Google europeu…? Há outros exemplos neste link, incluindo uma notícia sobre um casal supostamente pego transando em um trem de passageiros. Os jornais não têm como recorrer, então o jeito é relembrar os links removidos em outros textos, que aparecem no motor de buscas.

A exigência de que o Google deva remover links pelo direito de ser esquecido pode ser válida em alguns casos; em outros, é apenas censura. Sim, a notícia continua lá, mas dado que o Google recebe mais de 90% das buscas em alguns países europeus, será bem mais difícil encontrá-la.

Felizmente, há uma forma bem simples de driblar isso: basta acessar google.com/ncr para ver os resultados não-censurados. Infelizmente, a ferramenta de remoção talvez não funcione muito bem. A BBC foi avisada de que uma notícia sobre o banqueiro Stan O’Neal, demitido do Merrill Lynch após perder grandes quantias de dinheiro, seria oculta das buscas – só que isso não aconteceu.

Mas a transparência do Google é uma reação maravilhosa contra a censura. Seria melhor se nada fosse removido, mas esta é uma advertência de que não se pode fugir do seu passado na internet. [Guardian via Techdirt]

Imagem por Thomas Pajot/Shutterstock

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