XANGAI* – Estando numa feira de tecnologia em Xangai em pleno ano que o 5G começa a ser implementado, minha expectativa era ouvir sobre coisas conectadas por todo o lado. Porém, não foi bem isso que rolou na CES Asia, durante os dias 11 e 13 de junho. Os grandes protagonistas da versão asiática da feira anual de Las Vegas foram os carros.

Diferente do Brasil, a China já está caminhando a passos largos para a implementação da quinta geração de tecnologia móvel, sem contar que é a casa da Huawei, uma das pioneiras no assunto (os EUA que o digam). Mesmo assim, quem roubou a cena foram os veículos ou tecnologias relacionadas a eles.

Dos cinco pisos de exibição (sem contar o anexo de startups), dois eram dedicados exclusivamente à tecnologia automobilística e entre as principais apresentações, Audi e Hyundai figuraram na lista. Somando esses itens, dá para dizer que os carros foram protagonistas da feira.

Não é para menos: a China é um mercado gigantesco, especialmente no setor automobilístico. O país vendeu cerca de 28 milhões de automóveis em 2018 – quase dois terços dos 17 milhões vendidos nos Estados Unidos e dez vezes mais do que o Brasil. E há espaço para mais: apesar da desaceleração do mercado, a densidade da frota é de 6,5 habitantes por veículo, número menor do que nos EUA (1,2) e Brasil (4,8).

Tinha de tudo um pouco: carros elétricos, carros autônomos, sistemas de radares, conceitos esportivos e plataformas de entretenimento.

Sistema de visão computacional da Horizon Robotics

Vi muitos carros elétricos, que podem ser estratégicos para a diminuição da poluição em algumas cidades chinesas, mas não foram feitos lançamentos.

Para não dizer que não havia novidades, uma startup lançou um caminhão autônomo de nível 3 (capaz de andar sozinho na maior parto do tempo, mas necessita da presença de um motorista), chamado Inceptio No. 1.

Caminhão autônomo Inceptio No. 1. Foto: CES/CTA

Já os conceitos estavam por toda a parte. A Honda apresentou uma interface de usuário no painel com realidade aumentada, enquanto que a Nissan destacou sua visão “Invisível-para-Visível”, com informações para os motoristas a partir de dados coletados pelos sensores do veículo e do mundo externo.

A companhia também demonstrou na feira seu conceito de “Cérebro-para-veículo”, no qual é preciso vestir um headset que interpreta os sinais do cérebro do motorista para auxiliar a direção, além do de carro elétrico IMs.

Na mesma pegada de conceitos, a Hyundai mostrou um sistema operacional com “tecnologia de toque pelo espaço virtual” no qual os motoristas poderiam controlar o carro por gestos e a Audi destacou o “e-tron“, sua ideia para cidades inteligentes e o Holoride, um sistema de entretenimento com VR.

O destaque dos veículos na feira foi bem interessante, principalmente pela importância desse mercado na Ásia – especialmente na China. O evento ainda pode amadurecer e se tornar mais importante como uma oportunidade para grandes lançamentos – a Huawei, por exemplo, tinha um estande relativamente tímido, enquanto que grandes marcas como Xiaomi e BBK Electronics não marcaram presença.

*O jornalista viajou para Xangai a convite da CTA, empresa que organiza a CES