Na CES, enquanto eu brincava com o Optimus 2X no estande da LG, chegaram dois asiáticos e perguntaram ao representante: “cadê os tablets?” Ele disse, “não temos tablets”. E os dois rapazes foram embora desapontados, sem pensar duas vezes. Smartphones não fizeram a cabeça dos 120 mil visitantes da CES. Pela quantidade de tablets que vimos este ano, de todo tipo de fabricante, está mais do que claro que 2011 será ano dos tablets.

A evolução em um ano do mundo dos tablets é impressionante: na última CES, os smartphones anabolizados passaram longe de serem os atores principais. Ninguém sabia ao certo como seria esse mercado com ares futuristas, mas no dia 27 de janeiro, pouco após a feira, a Apple começou a mostrar suas intenções. Surgia o iPad, e após ter sua utilidade questionada, vimos números de compras assustadores: milhões de aparelhos foram vendidos e ele foi considerado o gadget de adesão mais rápida da história.



Enquanto a Apple ganhava terreno, todos se perguntavam: onde estão os concorrentes? Correndo de um lado para o outro, diversas empresas bolavam seus sistemas ou tentavam redesenhar existentes. O Android surgiu como principal concorrente, mas esticar um sistema pensado para smartphones provou-se uma ideia não tão genial. Mesmo assim, o primeiro concorrente surgiu apenas no segundo semestre, com o Galaxy Tab, da Samsung.

A palavra tablet virou tamanha obsessão por parte das empresas na CES que foi até usada de forma livre demais para nosso gosto: por exemplo, a Panasonic e ViewSonic chamaram aparelhos de 4 polegadas – menores do que a tela de vários smartphones – de tablet, enquanto a Sharp disse que seu Galapagos é um tablet, mesmo que ele sirva apenas para ler livros e navegar na web. Nenhuma empresa de hardware no mundo quer passar 2011 sem um mísero tablet no portfólio.

Este ano, os concorrentes parecem ter encontrado formas de enfrentar o iPad enquanto apresentam diferenciais que o tablet da Apple não tem. Não é à toa que o Motorola Xoom e o Blackberry Playbook estão entre os melhores tablets da CES – um deles apostando no Android – agora assim! – pensado para tablets, e outro num sistema próprio cheio de artimanhas para o mundo da RIM.

Sem exageros, o Xoom, da Motorola, reuniu basicamente tudo o que esperávamos num tablet da segunda geração: tela grande, para melhor consumo de conteúdo como livros e websites e um sistema operacional pensado especificamente para tablets. Por conta do mistério, ainda é cedo para chamá-lo de tiro certeiro. Precisamos ver o hardware (processador dual-core e Tegra 2) e principalmente o software (o Android 3.0) amadurecerem para surgir no mercado um produto assim.

O BlackBerry PlayBook, por sua vez, se diferencia não apenas por usar um sistema operacional pensado para tablets, como por criar um tablet voltado para ambiente empresarial, com sistema QNX pensado para ser bastante seguro. Nós gostamos do que vimos: o aparelho está bem acabado por fora e o software é elegante e, mesmo em beta, funciona muito bem. Se a RIM apostar numa expansão além de seu mundo corporativo, há grandes chances de a empresa surpreender.

O calcanhar de Aquiles dos dois tablets são os apps, grande fator de sucesso do iPad. O Xoom roda Android, mas não sabemos como o Honeycomb vai rodar apps das outras versões do Android, ou como será o processo de desenvolvimento para a nova plataforma. O Playbook não é compatível com apps para BlackBerry, e apesar de dar aos desenvolvedores opções como Adobe AIR, HTML5 e SDK nativo, ainda é muito cedo para dizer se a loja irá realmente funcionar.

Apesar de inundado, o mercado de tablets não tem nem um ano e as experimentações em torno do formato são diversas – e na teoria da tentativa e erro, é fácil imaginar que se erra muito nessa brincadeira. Assim, surgiram nos estandes da CES os híbridos de tablet com netbook, como o Samsung 7 Series (com Windows 7) e os Eee Pads da Asus (com Android).

Claro, nem só de bons tablets é feita a CES. Além dos tablets xing-ling da ViewSonic, Hanvon, tivemos a tentativa da Panasonic de fazer tablets, acima – que não aprovamos.

Dentre os xing-lings que vi, a maioria rodava Android, geralmente a versão 2.2 – alguns prometendo update para a versão 2.3 – mas tinham os problemas recorrentes de xing-lings: tela pouco ágil na resposta, botões físicos com resposta ruim, bugs ao utilizar, e o maior problema de todos – usar num tablet um sistema que não é próprio para tablets.

Finalmente vimos o ViewPad 10, tablet dual-boot da ViewSonic que roda Android 1.6 (ainda?) e Windows 7. A conclusão: ele consegue fazer duas coisas, mas faz as duas coisas mal. O Windows é ruim de ser utilizado apenas na touchscreen do aparelho, e o Android é bastante limitado por não ter acesso ao Market.

A Coby também exibiu seu tablet Kyros, lançado em novembro, que não é nada além de um “smartphone grande” – pior, na verdade, já que roda Android mas não conta com Android Market nem apps do Google. Ele vem em dois modelos, mas isso não importa muito.

E a Hanvon mostra no TouchPad B10 que, às vezes, até mesmo uma tela de 10,1 polegadas pode ser pequena para o Windows.

2011 é um ano com muitas promessas para o mundo dos tablets, com o iPad 2, Motorola Xoom, BlackBerry PlayBook e o que mais vier por aí – quem sabe até mesmo da LG. Só fique atento ao excesso de opções: só poucos serão de fato bons.

O Gizmodo Brasil viajou para Las Vegas a convite da Motorola.