O inverno estava se assentando conforme alguns dos seguidores mais devotos de Chelsea Manning começaram a mostrar todos os sinais de dúvida. Dias antes da eleição de 2016, a mulher de 28 anos tinha tentado acabar com a própria vida uma segunda vez após apenas alguns meses.

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Os apoiadores abertamente se perguntaram se ela sobreviveria ao resto de sua sentença se Obama não a ajudasse antes de sair da presidência.

Mas ele o fez, e a dor foi substituída por um eufórico sentimento de alívio. Depois de receber a sentença mais dura de qualquer americano que vazou informações confidenciais, Manning saiu da prisão militar de Kentucky, colocou um par de all stars pretos e foi direto comer uma fatia de pizza de pepperoni.

Em uma futura ainda a ser transmitida para o programa Nightline, da rede de TV americana ABC, na semana que vem, Manning diz que aceita a responsabilidade por seu atos. Mais de dois anos atrás, ela disse a um juíz do exército: “Eu sinto muito que as minhas ações tenham ferido as pessoas. Eu sinto muito que elas tenham ferido os Estados Unidos”. O áudio de sua desculpa foi televisionado pela NBC News pela primeira vez em janeiro deste ano. Ele provavelmente pesou fortemente na decisão de Obama de reduzir sua sentença em mais de 27 anos.

“Tudo o que eu tenha feito, fui eu”, Manning disse à ABC. “Não tem ninguém mais. Ninguém me disse para fazer isso. Ninguém me dirigiu a isso. Isso fui eu. Pesa em mim.”

Deslocada para um escritório de inteligência em uma base perto de Bagdá durante a redução militar dos EUA em 2010, o trabalho de Manning era filtrar inteligência crua que detalhava incidentes de guerra que raramente eram repassado para o público americano. “Nós recebíamos toda essa informação de todas essas fontes diferentes”, ela diz agora, “e era só morte, destruição e caos”.

“Nós filtravamos todos esses fatos, estatísticas, relatórios, dados, horas, localizações e, eventualmente, você apenas para”, ela disse à ABC. “Eu parei de ver apenas estatísticas e informação, eu comecei a ver pessoas.”

Manning ficou perturbada com muitos dos relatórios que passavam por sua mesa: significativos relatórios de atividade detalhando mortes de civis em massa, o uso de listas de morte, o “aparente gosto por sangue” dos pilotos de helicóptero Apache que metralharam jornalistas e atiraram em crianças. “Nós somos os mais familiarizados com isso”, ela disse, sobre os analistas de campo de batalha. “Não é, sabe, um general que escreve esse tipo de coisa.”

Manning, que eventualmente foi acusada de vazar apenas trechos de 227 documentos (dentre os mais de 725 mil que ela mandou para o WikiLeaks), disse à ABC que não levou suas preocupações para a cadeia de comando já que, embora “os canais existam… eles não funcionam”.

Manning disse que, apesar disso tudo, ela não tem nada além do maior respeito pelo exército. “O exército é grande e diverso e é público, ele serve uma função pública, ele serve um dever público”, ela disse. “E as pessoas que estão no exército trabalham muito duro, geralmente não por muito dinheiro, para fazer o seu país melhor e para proteger seu país. Eu não tenho nada além de respeito por isso. E é por isso que me alistei.”

Quando perguntaram-na o que diria ao Presidente Obama se tivesse a oportunidade, Manning segurou suas lágrimas. “Obrigada. Eu recebi uma chance. Era tudo o que eu queria”, ela disse.

[ABC News]

Imagem do topo: xychelsea/Instragram