Há algumas semanas, a influente emissora estatal da China decidiu que o iPhone é um “problema de segurança nacional”, por causa de um recurso para rastrear a localização dos usuários. Agora, o governo da China decidiu proibir seus funcionários de usar iPads e MacBooks.

ATUALIZAÇÃO (08/08): a Reuters diz que houve uma confusão. O governo chinês retirou produtos de uma lista de compras, mas isso não significa que eles foram banidos. Na verdade, os funcionários compraram produtos da Apple em um sistema interno do governo nesta quinta e sexta-feira.



Segundo a Bloomberg, o governo chinês retirou dez produtos da Apple – incluindo o iPad, iPad Mini, MacBook Air e MacBook Pro – da sua lista de compras. Isso significa que seus funcionários não poderão encomendar os produtos.

Funcionários do governo disseram à Bloomberg que a decisão é baseada em “questões de segurança”. Em julho, o canal CCTV reclamou do recurso “Locais Frequentes” no iOS 7, e citou pesquisadores dizendo que esses dados poderiam revelar vantagens econômicas da China ou “até segredos de estado”.

A Apple explica o recurso:

Locais Frequentes: seu iPhone manterá um registro dos lugares em que você esteve recentemente (bem como quantas vezes e quando você visitou esses lugares) a fim de aprender quais são os lugares importantes para você. Esses dados serão mantidos somente no seu dispositivo e não serão enviados à Apple sem o seu consentimento. Eles serão usados para fornecer a você serviços personalizados, como rotas de trânsito preditivas.

Em resposta à CCTV, a Apple também diz que o recurso “Locais frequentes” não é ativado por padrão. Isso não é bem verdade: quando você ativa os serviços de localização – que usam GPS, Wi-Fi e triangulação de redes celulares – o dispositivo ativa também o recurso que guarda os locais visitados.

Para desativá-lo manualmente, é preciso ir em Ajustes > Privacidade > Serviços de Localização, e desça até encontrar a opção Serviços do Sistema. Toque nela, depois em Locais Frequentes, e desative-o.

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locais frequentes ios 7 desativar

A reação da China talvez tenha sido exagerada: afinal, eles baniram até mesmo os MacBooks, que não têm o recurso “Locais frequentes”. Mas isso envia uma mensagem forte e clara para os EUA: produtos ocidentais não são bem-vindos por lá.

Este ano, a China também baniu o Windows 8 em novos computadores do governo. A Microsoft interrompeu o suporte oficial ao Windows XP – deixando futuras falhas de segurança em aberto – o que atingiu a China, onde mais da metade dos PCs ainda roda o sistema. Para evitar que a história se repita, o país resolveu proibir o Windows 8 e desenvolver uma variante própria do Linux.

O Google também não tem relações amistosas com a China. Na verdade, desde 2010, a empresa se recusa a censurar resultados de busca e encaminha usuários chineses para seu site de Hong Kong. [Bloomberg e Wall Street Journal]