Zoe Quinn faz jogos experimentais como Depression Quest, mas não só: ela está determinada a se tornar um ciborgue, a julgar pelos implantes cyberpunk que ela obteve ao longo dos últimos anos.

Em seu dedo anelar esquerdo, ela tem um imã revestido em silicone: com ele, Quinn consegue sentir campos magnéticos, fios e até pegar alguns objetos pequenos de metal. (Felizmente, ele não interfere em discos rígidos, pois não é grande o suficiente.)

Mais recentemente, ela recebeu um implante do chip NTAG216 em uma das mãos: ela pode programá-lo e fazer o que quiser com ele.

“Eu não sei ao certo quais são todas as possibilidades”, escreve Quinn em seu blog. “Eu estou planejando fazer um jogo que se integra a ele, mas já consigo bloquear e desbloquear meu smartphone com muita facilidade, e transmito dados para outros dispositivos compatíveis com NFC, como smartphones Android.”

Quinn também está distribuindo gratuitamente códigos do Steam com o chip, e como você pode ver no vídeo acima, ela optou por Deus Ex, um RPG com temática cyberpunk – o que se encaixa direitinho.

Você pode até mesmo vê-la tirar o implante neste vídeo, a partir do ponto 4:08, mas precisa ter um pouco de coragem para assistir:

Quinn fez uma pesquisa extensa sobre as duas modificações antes de implementá-las de fato. “Havia duas partes bastante difíceis: a ruptura inicial da pele, e conseguir passar da parte afunilada”, explica ela no blog. “E você precisa ir mais fundo, senão o chip migra em direção ao orifício de entrada.”

Warren Spector e Harvey Smith, designers do jogo Deus Ex, já sabem sobre o implante:

Por que fazer tudo isso? A resposta é complicada, e ela dá aqui uma explicação fantástica sobre modificação corporal – algo que passa pela inclusão de corpos estranhos em si próprio. Em resumo, isto representa para ela uma espécie de rebelião contra as normas sociais. Quinn diz em seu blog:

A modificação corporal existe desde que nós tivemos corpos para modificar, mas isto acaba sendo um tema meio polêmico por motivos estranhamente seletivos. Pouquíssimas pessoas vão questionar um par de orelhas com piercing, porém muitos torcem o nariz se virem as mesmas joias no lábio ou na sobrancelha. Ninguém comenta se você pintar o cabelo de castanho para ruivo, mas se você usar outros tons, de repente vira algo grande, começam a perguntar como é seu relacionamento com seus pais, e dizem que você não está apto para trabalhar nem mesmo nos empregos que menos pagam no país…

Eu cresci com [modificação corporal]. Eu fui criada em uma oficina da Harley, e quando meu pai recebeu uma tatuagem, eu estava lá – aos 3 anos de idade. Parecia mágica a forma como a tatuagem de arma aparentemente flutuava acima da pele, deixando a arte abaixo dela. Minha mãe era tão fortemente tatuada como ele.

Mas os chips vão além de pura rebeldia: eles ajudam Quinn a se conectar com o que ela faz – criar jogos.

Eu queria que o chip em mim, mais cedo ou mais tarde, para começar a programar coisas no meu corpo, para me conectar mais com a tecnologia que eu uso para fazer a minha arte. Eu não quero apenas ir a um estúdio de piercing com o qual não tenho nenhuma relação, e sentar lá como se fosse apenas um procedimento de rotina, quando essas coisas significam muito mais para mim, por mais que pareça algo bruto e estranho para a maioria das pessoas. Eu queria fazer isso sozinha, queria dar esse salto e ver como era fazer um biohacking faça-você-mesmo e alcançar um futuro mais interessante com minhas próprias mãos…

É realmente muito legal ser capaz de *sentir* as ferramentas com as quais faço arte. Mesmo em pequenas formas, isso já está funcionando: eu sinto, mais do que nunca, que os computadores nos quais eu programo e crio arte são extensões de mim mesma…

Quando ela colocou o implante de ímã, Quinn descreveu ser capaz de sentir várias coisas bacanas:

Eu me sinto como uma telecinética bastante específica. Também posso sentir o campo magnético emitido pelo meu laptop em alguns pontos. Parece que quando você pressiona a mão contra uma bebida gaseificada, dá para sentir as bolhas… é algo um pouco indescritível, e por isso decidi fazê-lo em vez de apenas ler sobre ele. Eu mal posso esperar para ver o que acontece quando ele curar mais.

Parece que estas duas “extensões” não são os únicos que ela terá no corpo. Mas caso você esteja com a ideia de fazer o mesmo, eis uma parte do FAQ que a Quinn escreveu sobre o chip dela:

P. Devo fazer isso em mim da mesma forma que você fez?

NÃO. EU FUI TREINADA POR PROFISSIONAIS LICENCIADOS EM PIERCING E ASSUMI UM RISCO ENORME EM FAZER O QUE FIZ, ENTÃO NÃO SEJA LOUCO(A). Eu não me arrependo de nada que eu fiz neste vídeo, mas não posso sugeri-lo – foi algo muito imprudente, para ser honesta, e você absolutamente não deve fazer isso com você mesmo(a). Eu sabia dos riscos e fiz mesmo assim.

Saiba mais sobre Zoe Quinn aqui.