Um novo artigo publicado por cientistas da NASA sugere que é possível que um motor sem combustível funcione, o que para muitos era impossível, e que vale a pena testá-lo para ver se, de fato, futuras viagens espaciais poderão ser feitas usando esse motor.

O foguete da NASA que vai nos levar a Marte passou por mais um teste importante
Stephen Hawking e bilionário russo querem construir nanonaves interestelares

O conceito por trás desse motor chamado EM Drive é o seguinte: em vez do combustível que faz os motores convencionais funcionarem, ele usa microondas dentro de uma câmara de ressonância para gerar impulso.

De acordo com o estudo publicado no Journal of Propulsion and Power, os cientistas da NASA conseguiram gerar um impulso pequeno no vácuo, mas significativo considerando que não há nenhum tipo de combustível no motor.

É um resultado surpreendente, mesmo que modesto: a força produzida pelo motor foi de 1,2 milinewtowns por kilowatt. Em comparação, um propulsor convencional pode chegar a produzir 60 milinewtons por kilowatt, como no caso do Hall Thruster.

O importante aqui não é potência, e sim a viabilidade da ideia. O fato dos cientistas sugerirem que é possível sim que esse motor exista já é suficientemente empolgante: se conseguirem desenvolvê-lo melhor, o EM Drive vai poder equipar naves espaciais em viagens longas para todos os cantos do universo.

Afinal de contas, se ele consegue se impulsionar no vácuo sem a necessidade de combustível, não é preciso transportar combustível em um foguete, facilitando bastante a viagem.

O idealizador do EM Drive é o cientista britânico Roger Shayer, que começou a estudar a área em 2001. Desde então, ao menos em duas outras ocasiões as teorias de Shayer deram resultado positivo.

Em 2013, a China conseguiu resultados bastante parecidos com a mesma tecnologia. Apesar das pesquisas chinesas não terem conseguido força para sequer tirar um smartphone do lugar, a ideia era aprofundar os estudos para conseguir, por exemplo, aplicar a tecnologia na indústria de satélites, e, mais para o futuro, até em carros voadores.

Em 2014, a própria NASA teve resultados positivos com um teste de um desses motores – desde então, a agência vem trabalhando para ver se ele funciona em outras condições além da inicialmente testada, e o estudo recentemente divulgado já é um resultado disso.

A diferença é que, agora, os testes no vácuo tiveram resultados parecidos com os experimentos feitos no ar. Além disso, o estudo foi revisado por pares – e foi a primeira vez que o EM Drive entrou em uma revista científica do nível da Journal of Propulsion and Power.

O EM Drive está dando seus primeiros passos, e ainda há um longo caminho para ele percorrer. No momento, os cientistas da NASA sequer sabem como exatamente ele funciona – só sabem que ele funciona. Então ainda deve demorar até que ele nos leve até Marte, ou para qualquer outro canto do universo.

[Engadget, Super Interessante, Mensageiro Sideral, National Geographic]

Foto via NASA

Texto atualizado às 19h20 com mais informações sobre as origens e estudos anteriores do EM Drive