Não foram cientistas que descobriram este novo aspecto da aurora boreal: o brilho fino, púrpura, que viaja do leste para o oeste no céu noturno do norte. Foram pessoas com câmeras e uma paixão por auroras.

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Nesta quinta-feira (15), pesquisadores ofereceram oficialmente sua proposta de nome para essa estrutura observada pela primeira vez por cientistas cidadãos (amadores que auxiliam na análise de fenômenos ou dados): um Strong Thermal Emission Velocity Enhancement (STEVE), ou “Fortalecimento da Velocidade de Emissão Térmica Forte”, em tradução livre. Sugeriram também uma ideia por trás do STEVE. Estudar essas estruturas seria muito mais difícil sem a ajuda de cientistas cidadãos.

“É gratificante mostrar o que a ciência cidadã consegue fazer”, disse Elizabeth MacDonald, autora principal do estudo e membro do Centro de Voos Espaciais Goddard, da NASA, em entrevista ao Gizmodo. “Algumas pessoas acham que é só educação, conhecimento e alcance, mas na verdade são pessoas trabalhando juntas de maneiras que nunca esperávamos.”

As auroras boreais (e auroras austrais) são produzidas a partir da radiação do Sol interagindo com o campo magnético da Terra. Elas são como espetáculos coloridos nos céus polares.

Caçadores de aurora amadores só relataram o STEVE recentemente, segundo um novo artigo na Science Advances. É uma característica que foi anteriormente chamada de “arcos de próton” pelos caçadores de aurora, mas ele não tem a mesma aparência que os prótons causariam na aurora.

Para entender o STEVE, cientistas contaram com suas próprias medições feitas a partir dos dispositivos de captura panorâmicos da Universidade de Calgary, assim como fotografias digitais feitas por amadores. Satélites da Agência Espacial Europeia mediram mais profundamente o aspecto.

STEVE no céu do Lago Minnewanka (Foto: Paolo Fedozzi)

Combinar os dados levou à hipótese dos pesquisadores, de que um aspecto chamado de “derivas de íons subauroral” (SAID, na sigla em inglês) é o responsável pelo STEVE. Elas são partículas que fluem em direção ao oeste, mais rápidas do que a velocidade do som, em jatos finos mais próximos do equador do que o restante das luzes.

AS SAIDs normalmente não vêm com luzes, e as que vêm ainda não foram completamente compreendidas, segundo o estudo. Algumas emissões ligadas às SAIDs são vermelhas, mas os STEVEs são verdes — então ainda existem mais estudos a serem feitos.

Cientistas cidadãos desempenharam um papel crucial em tudo isso, explicou MacDonald. “Eles conseguem isso mais distintamente com uma câmera do que algumas das nossas câmeras terrestres, porque as pessoas podem notar, apontar para lá e conseguir uma imagem de maior resolução.” As pessoas também podem ajudar a explicar o quão comum a emissão é — depois de quase dois anos de observações, parece que os STEVEs não acontecem no inverno, por exemplo.

E foram mesmo os cientistas cidadãos, e aqueles que pediram ajuda de cientistas profissionais, que dirigiram o projeto. Os autores escrevem: “Esse exemplo pode ajudar a mudar a natureza do engajamento científico entre a comunidade científica e cidadãos cientistas e levar a comunicação da unilateralidade para a bilateralidade, com a curiosidade se transformando em participação e, por fim, em administração.”

[Science Advances]

Imagem do topo: Andy Witteman