Uma esquipe de pesquisadores, observando depósitos em camadas no polo sul de Marte, descobriu o que parecem ser dezenas de lagos subterrâneos, embora muitos deles estejam em áreas onde a água estaria, possivelmente, congelada. Os resultados foram publicados na revista Geophysical Research no início deste mês, e baseiam-se em pesquisa feita em 2018, que sugeria a existência de água líquida no polo sul do planeta.

A equipe de pesquisa mediu o volume desses depósitos, que contêm camadas alternadas de poeira, gelo de água e dióxido de carbono congelado – gelo seco. As camadas contêm a história climatológica de Marte; quando a inclinação do planeta era ligeiramente diferente, as condições de inverno formaram as camadas congeladas que os cientistas agora inspecionam usando um radar de perfuração de superfície. Assim como a Terra, Marte tem suas próprias eras glaciais, a mais recente das quais surgiu há 400 mil anos. A revista Discover tem um grande artigo sobre como a inclinação do planeta afeta suas estações e o clima.

“Não temos certeza se esses sinais são água líquida ou não, mas eles parecem ser muito mais difundidos do que o que o artigo original encontrou”, disse Jeffrey Plaut, um cientista pesquisador do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, em um comunicado da agência. “Ou a água líquida é comum abaixo do polo sul de Marte ou esses sinais são indicativos de outra coisa.”

O radar, apontado para Marte a partir do instrumento MARSIS a bordo do orbitador Mars Express da Agência Espacial Europeia, se comporta de forma diferente dependendo do material que atinge, e a água é um forte refletor de ondas do radar. Ele ficou refletindo e deu sinais brilhantes, evidência de que havia água líquida ou gelo embaixo.

Água congelada em Marte é notícia velha neste momento, mas a quantidade exata ainda é desconhecida. Em 2019, uma enorme quantidade de gelo foi encontrada sob o polo norte, e os sinais dos radares anteriores sugeriam uma extensão de água abaixo da superfície em uma faixa de 10 a 20 quilômetros de profundidade. Mas Plaut e seu co-autor, Aditya Khuller, encontraram dezenas de reflexos brilhantes através do polo em uma região muito mais ampla do que se pensava anteriormente, alguns indicando que as detecções estavam a menos de um quilômetro abaixo da superfície de Marte. Apesar disso, essas regiões detectadas também estão em áreas frias de cerca de -63 °C, o que significa que a água estaria congelada.

Citando um artigo de 2019 que investigou como e se poderia haver água líquida na região, Khuller observou que “seria necessário o dobro do fluxo de calor geotérmico marciano estimado para manter essa água líquida. Uma maneira possível de obter essa quantidade de calor é por meio do vulcanismo”.

No entanto, não há realmente nenhuma evidência forte de vulcanismo recente no polo sul, então parece improvável que a atividade vulcânica permitiria a presença de água líquida subterrânea em toda a região, explicou. 

Assine a newsletter do Gizmodo

Talvez teremos que definir um rover ou outra sonda para explorar o sul marciano, seria o melhor jeito para estudar a geofísica das substâncias congeladas do planeta. Em 1999, o Mars Polar Lander da NASA e suas duas sondas, coletivamente chamadas de Deep Space 2, foram a Marte para fazer exatamente isso, mas, infelizmente, os instrumentos foram perdidos na chegada.