Uma pesquisa publicada na Ecology e Society revelou algo curioso e ao mesmo tempo estranho; um grupo de ursos-cinzentos do Canadá tem sequenciamento genético diferente. Mais do que isso, a linhagem de cada DNA está ligada a três famílias de línguas humanas aborígenes, em regiões específicas. 

Ao estudar o comportamento de ursos que vivem na costa da Colúmbia Britânica, Canadá, os pesquisadores observaram que os animais migravam para as ilhas da região e eles queriam descobrir o porquê. Foi então que os cientistas tiveram a ideia de sequenciar o DNA dos animais na esperança de que a análise genética fornecesse informações sobre a conduta dos bichos. 

O experimento que se iniciou em 2011, contou com a participação das Primeiras Nações – termo utilizado para se referir à etnicidade dos povos indígenas originários da região e seus descendentes – e com pesquisadores Universidade de Victoria. A principal autora do estudo, Lauren Henson explicou à Science como foi possível coletar pelos dos ursos. 

Eles mapearam uma região de um pouco mais de 23 mil quilômetros quadrados e reuniram pilhas de folhas e gravetos cobertos com óleo de cação ou uma pasta de peixe — algo que Henson disse cheirar muito mal para os humanos, mas ser super atrativo para os ursos. Os montes eram cercados por arame, quando os ursos sentissem o cheiro e se aproximassem, alguns pelos ficavam presos. Os pesquisadores colocaram iscas por toda área mapeada, contudo, algumas delas foram mais difíceis e só podiam ser acessadas com ajuda de helicóptero.  

Os achados da pesquisa 

Foram quase 11 anos analisando as 147 amostras coletadas e apesar de não haver qualquer condição física que justificasse o sequenciamento genético diferente dos três grupos, os cientistas permaneciam intrigados. 

Jenn Walkus, cientista de Wuikinuxv (Primeiras Nações), e coautora do estudo, cresceu em uma área chamada Rivers Inlet, e percebeu a semelhança dos ursos e humanos que vivem naquela região: ambos precisam suprir suas necessidades básicas para sobreviver. Esses recursos incluem terra, água doce e alimentos, especialmente o salmão 

A hipótese fez ainda mais sentido quando compararam o intervalo com que os animais voltavam às terras, e compararam com as famílias de linguadas da região: Tsimshian, Northern Wakashan e Salishan Nuxalk. (Veja imagem) 

Crédito: Raincoast Conservation Foundation

Em um comunicado à imprensa, a Raincoast Conservation Foundation disse que a explicação mais aceita para esse comportamento é que a paisagem moldou os ursos e humanos de maneira semelhante para suprir às necessidades de vida. 

Assine a newsletter do Gizmodo

Ainda assim, os pesquisadores disseram que ursos e pessoas compartilham esse ambiente há séculos, mas não conseguem identificar a variação nos recursos de cada região que justificasse a separação do grupo – talvez eles só se sintam em casa.

[Big Think