Nos últimos meses, vimos um aumento considerável na quantidade de especialistas pesquisando a prevenção ou um tratamento para o Ebola. Esse crescimento não foi o suficiente, em partes porque o Ebola precisa ser testado em instalações altamente especializadas e caras. Isso pode mudar.

Uma equipe liderada por pesquisadores do Instituto de Pesquisa Geral de Toronto e do Serviço Sanguíneo do Canadá testou uma combinação de drogas no Ebola, e eles publicaram os resultados no Journal of Neglected Diseases. Qualquer pessoa que acompanha o noticiário sabe que o Ebola está longe de ser “negligenciado”, mas essa equipe diz que é – não devido à falta de interesse, e sim à falta de acesso às instalações ideais.

Atualmente, quem quiser testar medicamentos em vírus do Ebola em laboratórios, precisará de uma instalação de contenção nível 4. As diretrizes da CDC para níveis de contenção exigem o seguinte para as de nível 4: “paredes, chãos e teto do laboratório precisam ser construídos para formar um escudo interno selado para facilitar a fumigação e evitar a invasão de animais e insetos.”

Todo mundo precisa usar um “traje de pressão positiva” completo, o que significa que se tiver um furo que seja, o ar escapa dele. A instalação precisa ter um sistema próprio de ventilação, e o sistema precisa ser alarmado em caso de defeito ou se alguém mexer nele. Essas instalações são caras e raras. Mas, para um vírus como o Ebola, não há outra escolha.

Ou será que há? A equipe de Toronto diz que o vírus do Ebola pode ser transformado em uma “partícula como vírus”. Partículas como vírus são vírus que tiveram parte ou todo o genoma extraído. Isso não significa que eles não tenham força. A Dra. Eleanor Fish informou ao Gizmodo que essas partículas ainda podem entrar em células. Elas podem até mesmo se multiplicar como vírus, caso os segmentos de genes ausentes forem adicionados. Mas só produzem outras partículas, que, por si só, não podem se reproduzir e seguir o ciclo de infecção.

Como os vírus não são capazes de produzir infecção, eles podem ser estudados em instalações de contenção nível 2. Esse tipo de instalação só exige “portas que se fechem sozinhas”, e jalecos que podem ser usados em casa, apesar de que isso “não é recomendado”. É muito mais fácil isso do que as de nível 4.

Os pesquisadores em si testaram oito drogas diferentes nas partículas. Eles descobriram que drogas que inibem o HIV também são efetivas contra o Ebola, mas só funcionam bem quando pareadas com interferon-β, um medicamento que anteriormente foi observado como tendo vida prolongada nos macacos rhesus com Ebola. Essa droga agora está sendo estudada clinicamente em humanos expostos ao Ebola. Quando eles replicaram o estudo, com Ebola não-modificado em laboratório nível 4, os resultados foram validados.

Isso indica que um laboratório muito menos caro pode dar os mesmos resultados do que um caríssimo de nível 4. E também significa que a pesquisa do Ebola pode ter um futuro promissor.

[PLOS]

Imagem de topo: NIAID