Se alguém te perguntasse qual foi o pior ano da história (bem, pelo menos da sua), o que você responderia?

Como leigos, é comum que pensemos logo em 2020 e 2021 por causa pandemia de Covid-19. Algumas pessoas mais ligadas no passado podem sugerir ainda os anos em que o mundo enfrentou guerras mundiais ou mesmo a peste negra.

Mas nenhuma destas datas está correta.

Pelo menos na visão de Miles Pattenden, pesquisador na área de ciências humanas da Universidade Católica da Austrália.

Neste artigo para o site The Conversation, que publica textos de cientistas, ele argumenta que o ano de 536 foi o mais trágico da história. Aliás, não podemos tratá-lo isoladamente: a data gerou um efeito dominó, com sequelas que perduraram por uma década inteira.

Mas vamos ao início de tudo. O gatilho dessa história é a erupção de um vulcão, que parece ter acontecido na Islândia. A fumaça expelida pelo fenômeno formou um véu na atmosfera, que refletia a luz do Sol de volta para o espaço. Como resultado, o planeta sofreu um resfriamento. 

A China enfrentou nevascas em pleno verão, enquanto as temperaturas médias na Europa caíram cerca de 2,5ºC. Outras erupções parecem ter ocorrido em 540 e 547. Cientistas estimam que este inverno vulcânico tenha durado uma década.

Claro que mudanças climáticas bruscas trazem consequências. As colheitas falharam e muitas pessoas passaram fome. Crônicas irlandesas registram falta de pão entre os anos 536 e 539. Pessoas pegaram em armas umas contra as outras e, como se não bastasse, a peste bubônica atingiu o porto romano de Pelúsio, no Egito, em 541.

Tais acontecimentos estão documentados em registros históricos, e foram recentemente confirmados por pesquisadores que detectaram evidências das erupções e mudanças de temperatura. 

De toda forma, é difícil dizer se todas as pessoas que estavam vivas em 536 tinham ideia do péssimo ano que estavam enfrentando. Os pesquisadores acreditam que muitos tenham passado pela data sem notar grandes mudanças –sentindo os impactos do apocalipse inesperado apenas nos anos subsequentes.