Nem todo mau hálito vem de sundaes de ketchup com cebola. Cerca de 0,5% a 3% das pessoas têm mau hálito por fatores exteriores à boca, como seios nasais, esôfago, pulmões ou até mesmo sangue. Essas causas não são totalmente compreendidas.

Uma equipe internacional de pesquisadores descobriu uma outra provável causa deste mau hálito “extra-oral”: a genética. Eles pesquisaram uma proteína chamada “SELENBP1” e suspeitam que as mutações em seu gene originário podem fazer o corpo produzir moléculas de mau hálito. A proteína pode até ter um papel na supressão de tumores, também.

Os pesquisadores estudaram cinco indivíduos desafortunados cujo hálito tinha um cheiro persistente de repolho, de acordo com o artigo publicado na revista Nature Genetics. Eles descartaram outras fontes potenciais de cheiro, como dieta, e depois enviaram o bafo por meio de uma máquina, que era basicamente um nariz artificial que faz cromatografia gasosa. O cheiro vinha de uma série de moléculas contendo enxofre, como metanotiol e sulfureto de dimetilo.

O que os pacientes tinham em comum? Os cientistas notaram que cada um tinha uma mutação no gene SELENBP1. Eles queriam descobrir se o gene estava causando o cheiro, então o colocaram em alguns ratos de laboratório. Todos estes ratinhos mutantes apresentaram níveis mais elevados destes compostos de enxofre fedido no sangue – parecia que a mutação no gene SELENBP1 poderia estar causando o mau cheiro.

Estas observações mostram que talvez SELENBP1 produza uma enzima responsável pela quebra de moléculas odoríferas. “A função do SELENBP1 pode ser manter baixa a concentração de methanethiol na sua respiração”, escrevem os cientistas no artigo “permitindo assim que o nariz humano detecte maus cheiros a partir de compostos voláteis de enxofre no ambiente” em vez do próprio mau hálito do ser humano.

Há mais do que apenas o mau hálito em jogo – os cientistas especularam, com base em pesquisas anteriores sobre SELENBP1, que ele poderia desempenhar algum papel na supressão de tumores. Eles apontam que os cães podem sentir o cheiro de alguns tumores, e talvez eles estejam cheirando os compostos não discriminados pelas proteínas SELENBP1. Novamente, apenas especulação, mas talvez eles encontraram um outro gene que desempenhe um papel no desenvolvimento do câncer.

Este é apenas um artigo, os seres humanos não são ratos e a pesquisa certamente não está pronta ainda, dada a complexidade do corpo humano. Mas se você está prestes a beijar alguém cujo hálito cheira a repolho, saiba que pode ser o gene SELENBP1.

[Nature Genetics]

Imagem do topo: Cena do episódio “Algo cheira” de Bob Esponja/Captura de Tela via YouTube