Uma experiência controversa no Fermilab, nos EUA, feita pra caçar sinais de que nosso universo é na verdade um holograma, não conseguiu encontrar as evidências que procurava, anunciou o laboratório.

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Chamada Holometer (que surgiu a partir de “Interferômetro Holográfico”), a experiência é criação do físico do Fermilab Craig Hogan. Ele teve a ideia em 2009 como uma forma de testar o chamado princípio holográfico.

Na década de 1970, um físico chamado Jacob Bekenstein mostrou que as informações sobre o interior de um buraco negro são codificadas em sua área de superfície bidimensional (no seu “limite”) em vez do seu volume tridimensional (a “massa”). Vinte anos depois, Leonard Susskind e Gerard ‘t Hooft ampliaram essa noção para o universo inteiro, comparando-o com um holograma: nosso universo tridimensional surge a partir de um “código fonte” bidimensional. O repórter Dennis Overbye do New York Times comparou o conceito holográfico com uma lata de sopa. Todas as “coisas” do universo, incluindo os seres humanos, formam a “sopa” dentro da lata, mas as informações que descrevem essas coisas estão inscritas no rótulo fora do limite da lata.

Inicialmente Susskind considerou isso como uma metáfora, mas depois de analisar alguns números concluiu que a noção fazia sentido literal: o universo realmente é uma projeção de informações 2D em suas fronteiras.

Desde então, o princípio holográfico se tornou uma das mais influentes ideias na física teórica, mesmo que muitos acreditassem ser impossível testá-la, ao menos por enquanto. (Precisaríamos tirar imagens perto de buracos negros, e não temos tecnologia para isso). Hogan decidiu testar do mesmo jeito. O Holometer busca um tipo específico de ruído holográfico – um tipo de jitter quântico do espaço – usando equipamentos até humildes: uma matriz de lasers e espelhos em um túnel subterrâneo, com uma sala de controle montada em um trailer. Ninguém disse que a física era glamourosa. De acordo com o Symmetry:

O Holometer usa um par de laser interferômetros posicionados próximos um ao outro, cada um deles enviando um feixe de luz de 1 kilowatt através de um divisor de feixes e em direção a dois braços perpendiculares, com 40 metros cada. A luz então é refletida de volta para o divisor de feixes, onde os dois feixes são recombinados.

Se não houver nenhum movimento, o feixe recombinado vai ser igual ao original. Mas se flutuações no brilho forem notadas, pesquisadores vão então analisar essas flutuações para ver se o divisor está se movendo em certa direção, sendo carregado por um jitter do espaço.

É algo extremamente difícil de ser detectado, porque muitas outras coisas podem ser confundidas com um sinal de jitter, incluindo ruído de vento e tráfego. Os primeiros sinais não eram promissores quando os resultados preliminares (com base em cerca de uma hora de dados) foram divulgados em abril. Então não chega a surpreender que o resultado final da análise não seja conclusivo.

O experimento de US$ 2,5 milhões foi controverso desde a sua concepção, e até os criadores do princípio holográfico estavam entre os pessimistas. E alguns dos maiores críticos do projeto usaram as redes sociais para comentar a falta de evidências na análise final, como fez a física sueca Sabine Hossenfelder. “Resultados do Holometer divulgados: nada. Não surpreende, considerando que a ideia por trás dele não faz sentido”, escreveu no Twitter.

Mas Hogan permanece otimista. Afinal de contas, um resultado nulo é um tipo de avanço, e só o modelo teórico de como isso poderia funcionar é que foi descartado. “É só o começo da história”, disse ao Symmetry. “Desenvolvemos uma nova forma de estudar o espaço e o tempo que não tínhamos antes. Não sabíamos que conseguiríamos a sensibilidade que conseguimos.” [Symmetry]