Um experimento que ficou bastante famoso foi o do físico Richard Feynman. Ele testou como um espaguete quebrava ao aproximar as duas pontas. A conclusão foi que o macarrão sempre se dividia em três ou mais partes. Alguns outros experimentos nesse sentido foram feitos, e o mais recente deles descobriu que, se você torcer o fio, consegue evitar que a massa seca vá parar em todo o canto.

“O segredo é torcer bastante”, diz Vishal Patil, pós-graduando do MIT, ao Gizmodo. “A energia da fratura se divide pela torção.”

Tendo em vista sua conexão com o famoso e problemático físico Richard Feynman, essa questão foi abordada por outros pesquisadores por diversas vezes. Em 2006, os físicos Basile Audoly e Sébastien Neukirch venceram o prêmio Ig Nobel com seus experimentos, em que isolaram o motivo pelo qual estas varetinhas não quebram no meio.

Patil e o outro autor do estudo, Ronald Heisser, pós-graduando da Universidade Cornell, queriam descobrir um jeito de evitar que o espaguete quebrasse em mais do que duas partes.

Os dois partiram 350 fios de macarrão e filmaram os resultados usando uma câmera de alta velocidade, capaz de capturar até 1 milhão de quadros por segundo.

A fragmentação da massa passou por diversos estágios, começando com uma primeira fratura, passando por uma falha catastrófica e terminando com ondas passando pelo fio, que levam a quebras secundárias e pedacinhos voando por todo o lado.

No entanto, ao acrescentar uma torção de mais de 250 graus, eles conseguiram aumentar consideravelmente as chances de quebrar um espaguete apenas no meio. A descoberta foi publicada em um artigo do Proceedings of the National Academy of Sciences.

Mas quem se importa com como alguma coisa quebra? “Quando você pensa em um copo se despedaçando ao atingir o chão ou um prédio desabando, você perde o senso de controle”, diz Heisser ao Gizmodo. “Talvez haja algo controlável, e as pessoas possam pensar sobre fraturas de forma diferente.”

Varetas pequenas e finas são bastante frequentes na natureza e na mecânica, desde patas de insetos e galhos a nanotubos de carbono. Entender como eles quebram é útil para a engenharia.

Também aproveitei para perguntar o que mais eles pensam em testar. “A próxima pesquisa é com linguine”, brincou Heisser.

[PNAS, MIT]

Imagem do topo: George Becker via Pexels
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