Uma equipe de pesquisadores fez experiências com drosófilas e descobriu que, através de engenharia genética, eles conseguem criar nessas moscas uma "memória" de dor que elas nunca tiveram. É um pouco complicado e um pouco medonho.

Basicamente, os pesquisadores entendem que as drosófilas são capazes, até certo ponto, de evitar coisas que lhes causaram dor no passado (neste caso, elas receberam choques quando voaram para uma área específica). Então os pesquisadores modificaram geneticamente algumas moscas para que as células que produzem dopamina criem uma proteína sensível a laser. Depois de serem iluminadas com o laser em uma área específica, apesar de a estimulação não causar dor, as moscas evitaram essa área com quase a mesma frequência que evitavam quando sofreram dor. Segundo um dos pesquisadores:

Miesenböck conclui que estimular a liberação de dopamina nesses 12 neurônios tem o mesmo efeito de aplicar choques elétricos em moscas. Em outras palavras, estas moscas temiam aquela [área] como se elas tivessem sido condicionadas a associar um choque elétrico a ela. "Estimular somente esses neurônios confere à mosca uma memória de um evento desagradável que nunca aconteceu", diz Miesenböck.

E claro que você está se perguntando: este experimento pode ser reproduzido em humanos? Bem, talvez sim, e talvez não. Um pesquisador bioquímico chamado Wayne Sossin lembra que é meio antiético fazer engenharia genética em humanos — o que torna o teste de hipótese bem difícil — e diz que o teste original com drosófilas só funciona com memória de curto prazo, e não de longo prazo. Então memórias falsas do tipo que esperamos da ficção científica podem não virar realidade tão cedo. [NewScientist]