A falha Alpina é a mais perigosa falha geológica da Nova Zelândia – e uma das mais perigosas do mundo. Ela rompe com um terremoto de 8 graus de magnitude a cada 300 anos, aproximadamente, e o mais recente deles foi em 1717, o que significa que o próximo deve estar a caminho. E o que faremos em relação a isso? Simples: furar um buraco de 1,5km nela.

Apesar de tudo o que sabemos sobre terremotos em 2014, ainda somos muito ruins em prevê-los. Cientistas não têm ideia do que acontece dentro de uma falha ativa nos meses, dias e minutos que antecedem um tremor. O Deep Fault Drilling Projetc, da Nova Zelândia, fará com que cientistas furem pela primeira vez uma falha prestes a causar um enorme terremoto.

A perfuração, com cerca de 1,5km de profundidade e 10cm de diâmetro, vai até a “zona de esmagamento” onde uma placa tectônica atinge a outra. Um conjunto de sensores fará medições de temperatura, pressão, som e imagens da falha ativa. Amostras de rochas serão coletadas para estudar as cicatrizes deixadas por atividades sísmicas passadas.

“Realmente não sabemos o que vamos encontrar quando chegarmos na zona da falha”, diz um dos líderes do projeto, Rupert Sutherland, em um press release da Universidade Victoria. O projeto de perfuração é sem precedentes. Cientistas já furaram uma falha antes: um pedaço da Falha de San Andreas, na Califórnia, que causa terremotos pequenos, mas frequentes. Mas este novo projeto é completamente diferente, com o objetivo de olhar de perto uma falha que está prestes a lançar um terremoto gigante e mortal. Seja lá o que eles vão encontrar, fico feliz em estar bem longe. [Victoria University,Nature]