Em feito inédito, cientistas chineses conseguiram clonar macacos usando a mesma técnica que nos deu Dolly, a ovelha, há mais de duas décadas.

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Dois macacos-de-cauda-longa idênticos (e bem adoráveis) chamados Zhong Zhong e Hua Hua nasceram há oito e há seis semanas, respectivamente. Eles são os primeiros primatas a serem clonados a partir de uma célula não-embriônica.

Muitos mamíferos, incluindo cães, cavalos e coelhos, já foram clonados desde que a Dolly nasceu em 1996, mas esta nova pesquisa, publicada nesta quarta-feira (24), no periódico Cell, é significativa porque, no passado, os macacos já provaram ser resistentes à técnica de clonagem.

Animais geneticamente idênticos são úteis em pesquisa porque fatores de confusão causados por variabilidade genética em animais podem complicar experimentos. Eles podem ser usados para testar novos remédios para uma série de doenças antes do uso clínico. Animais clonados também podem ajudar cientistas a entender melhor as ligações genéticas de doenças.

Pesquisadores do Instituto de Neurociência da Academia Chinesa de Ciências, em Xangai, usaram um processo chamado transferência nuclear de célula somática para transferir o núcleo de uma célula em um óvulo que havia tido seu núcleo removido. Os cientistas chineses parecem ter tido sucesso onde outros havia falhado ao ligar e desligar genes que estavam interferindo no desenvolvimento do embrião clonado.

Mesmo apesar disso, a taxa de sucesso era extremamente baixa: foram precisos 127 óvulos para produzir apenas dois macacos. E eles só tiveram sucesso em transferir núcleos a partir de células fetais, não de células adultas, como aquelas a partir das quais a Dolly foi clonada.

Recentemente, a China tem estado na vanguarda de grande parte das pesquisas biomédicas. O país já usou a técnica de edição genética CRISPR para tratar mais de 86 pessoas com várias doenças, enquanto os Estados Unidos, por exemplo, está apenas começando seu primeiro teste de tratamento de humanos com CRISPR.

No ano passado, a China também esteve programada para receber o primeiro transplante de cabeça humana, embora não exista notícias sobre o experimento ter acontecido ou não. Uma grande razão por trás da dominância da China nessa área é a falta de regulações de segurança rígidas que restringe pesquisadores norte-americanos ou de outros países.

A clonagem bem-sucedida de um primata certamente alimentará o medo de que seres humanos clonados estejam próximos de se tornar realidades.

[Reuters]

Imagem do topo: Academia Chinesa de Ciências